“Internet é campo para imaginação mórbida”, diz psicólogo sobre caso Ana Hickmann

  • Por Jovem Pan
  • 23/05/2016 11h25
Eduardo Mainardi/Jovem Pan

A internet é uma faca de dois gumes. Pode ser usada para o bem, assim como para ações ruins. Além disso, é um campo fértil para imaginações mórbidas e psicológicas. O psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg afirmou isso na manhã desta segunda-feira (23), durante o Jovem Pan Morning Show. O doutor comentou sobre os aspectos psicológicos que levaram o fã de Ana Hickmann a atacar no último domingo, no Hotel Ceasar Business, em Belo Horizonte.

Rodrigo Augusto de Pádua premeditou um ataque à apresentadora e demonstrou um desequilíbrio enorme, segundo a entrevista que Hickmann concedeu ao programa “Domingo Espetacular”, da TV Record. O rapaz de 30 anos perseguia a modelo pelas redes sociais e estava revoltado por ela “não lhe dar mais atenção”.

“Ele não estava falando com a Ana Hickmann, ele estava conversando com a loucura que ele idealizou. Ela não é só bonita, ela é carismática. Tem uma presença hipnotizante. Toda vez que cheguei perto dela, ela te paralisa. Ela tem uma aura, todo ser humano procura essa energia. No caso dele foi singular, enquanto em outros é plural”, explicou.

“O mundo virtual hoje é um campo fácil para imaginação mórbida e psicológica. Ele projeta um mito, alguém que ele quer para ele. Ele entra em paranoia porque percebe que essa pessoa que ele criou não interage com ele e isso começa a afetá-lo”, opinou.

Goldberg ressaltou o perigo que as redes sociais podem criar na mente de uma pessoa, tornando-a adepta à reclusão social, deixando de interagir com pessoas reais. O indivíduo pode acabar criando um mundo de monólogo, onde não há uma percepção real das coisas.

“Ela (redes sociais) tem um risco que é criar um mundo de monólogo e não de diálogo coletivo. Você fala com um personagem que você imagina estar do outro lado. No caso Ana Hickmann tem um detalhe. Quando você cria esse sistema de diálogo com alguém que não conhece, que não tem uma percepção sensorial, não vê a linguagem corporal é perigoso que vocês criem um tecido verbal falso. Ou seja, você diz ‘meu querido amigo’, mas você não conhece o indivíduo”, concluiu o raciocínio.

A família de Pádua pareceu surpresa com a tentativa de crime do rapaz, dizendo que ele era uma pessoa “boa e normal”. O psicólogo aponta que isso é absurdo, pois essa normalidade é algo comum na cultura brasileira se a pessoa é quieta e tranquila no seu dia a dia.

“É curioso que essa ideia de normalidade no sentido de passividade é comum na cultura brasileira. Se o sujeito é morno, não é agitado, ele é normal. Isso é um absurdo. O normal na nossa vida é que possamos existir”, finalizou.