Regina Duarte diz que aprende com atores jovens; "O Chay me ajudou muito"

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2015 11h26
Amanda Garcia/Jovem Pan<p>Regina Duarte falou sobre sua carreira no Morning Show</p>

Comemorando os 50 anos de trabalho em novelas, minisséries e filmes, Regina Duarte fala sobre os pontos mais marcantes de sua vida. A atriz conta que quando recebeu o convite de ter uma exposição organizada para celebrar sua carreira, a princípio não gostou da ideia. “Fui à uma exposição da Elis Regina e coloquei a música Maria Maria, porque me lembrava a Malu. Quando vi, estava soluçando de saudades dela e de da pessoa que eu já fui. Aquilo veio como uma enxurrada do meu passado”, relembrou ela. A exposição então foi organizada para que as pessoas relembrassem as dezenas de personagens já vividas por Regina, mas principalmente para reviver momentos da vida delas.

Ela fala um pouco sobre o processo de interpretar um personagem tão forte como a Viúva Porcina, de Roque Santeiro: “tem uma Viúva Porcina dentro de todas as mulheres do mundo, é só fazer o mergulho na densidade que os atores fazem”. Segundo ela, para viver a personagem imaginada pelo autor da novela, é necessário buscar a mulher dentro de si.

Sobre Roque Santeiro, ela acredita que a novela fez tanto sucesso por ter sido feita no contexto histórico em que aconteceu, logo após a morte de Tancredo Neves. “Quando lia Roque Santeiro, tinha certeza de que ia estourar. Eu ria em casa, e falei que o povo brasileiro estava precisando rir. Quando eu lembro, eu falo: ‘gente, eu fiz parte desse fenômeno'”, revela.

“Muitas pessoas me dizem que o ator deve ser uma pessoa que não diz a verdade, que mente. Aí eu respondo: ‘olha, cara, é muito mais fácil você mentir na sua vida do que eu, eu tenho um espaço na minha vida para mentir, você não tem e joga isso na sua vida pessoal'”, argumenta Regina, sempre com o celular na mão. Ela conta que é viciada no Instagram, e brinca que até pensou em fazer uma desintoxicação.

Sua próxima novela é Sete Vidas, na faixa das 18h da Rede Globo. Regina faz Ester, a mãe de uma das sete vidas, que é fruto de uma inseminação artificial e quer descobrir a identidade do pai, que mora nos EUA. Outros seis jovens filhos do doador de sêmen também se juntam para tentar encontrar o pai. Rodeada por atores jovens na novela, ela comenta que gosta de trabalhar com pessoas mais novas, e que aprende muito com elas.

“Eles me contam que ficam nervosos de trabalhar comigo, mas eu nunca percebo isso na hora porque estou preocuada com a cena que vou fazer”. Ela diz que gosta de bater a cena com eles e que presta atenção na forma que eles interpretam. “O Chay [Suede] me ajudou muito com o jeitão dele, que eu captei. Fui muito em cima da interpretação dele. Quando eu via, eu falava: ‘gente, olha como eu peguei do Chay'”, exemplifica.

Já sobre os jovens em geral, ela diz que a falta de habilidade em discutir e trocar opiniões é uma característica desta geração. “Sai cada um para um lado, fica fechado na sua opinião, não tem coragem de discordar de nada. Discordar é bom, enriquece”, afirma. Ela viu como positiva a abertura para discussões que aconteceu nas eleições de 2014. “Acho que houve um movimento de colocar a cabeça para fora do buraco e dar sua opinião, e achei bastante saudável para quem vive em uma democracia. O que estava acontecendo era um silência esquisitíssimo”, diz.

Serviço:
Exposição “Espelho da Arte – A Atriz e Seu Tempo”
Curadoria: Ivan Izzo
Visitação: 11 de janeiro a 08 de fevereiro de 2015
Terça a sábado: das 11 às 22h
Domingos e feriados: das 14h às 20h
Endereço: Shopping JK Iguatemi
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi, São Paulo
ENTRADA FRANCA