Vladimir Brichta revela empatia por ator que inspirou história de "Bingo": "me sensibilizou"

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2017 12h07
Johnny Drum/Jovem Pan

Vladimir Brichta dá vida ao palhaço Bingo, história inspirada no ator Arlindo Barreto, que interpretou o icônico palhaço Bozo na TV na década de 1980. Em entrevista ao Morning Show da Rádio Jovem Pan desta quarta-feira (16), o ator e o diretor Daniel Rezende falaram sobre as dores de um artista famoso que vivia na sombra de seu personagem, trama que será explorada em “Bingo – O Rei das Manhãs“, filme que chega aos cinemas em 24 de agosto.

Brichta, que vem emendando grandes papéis em séries e novelas, afirmou que não pensou duas vezes para aceitar o papel de Augusto, baseado na vida de Barreto. O ator disse ter sentido uma grande empatia pelo seu colega de profissão e que entende as loucuras feitas por não ser alguém reconhecido, mesmo sendo a grande figura da televisão na sua época.

“É um personagem incrível, todo ator gostaria de fazer. Ele é ator antes de ser o palhaço. Tem uma relação intensa com a mãe e filho. Almeja o sucesso e batalha por isso. Acaba se tornando palhaço, consegue de forma inusitada se tornar protagonista de um programa infantil. Depois que ele conquista esse lugar, ele ainda é uma figura anônima”, explica.

“É terrível para um ator, ele é um famoso anônimo. Como ator, contar a história de um colega me faz ter uma empatia grande. Qualquer ator se sensibilizaria sobre alguém não ser reconhecido. É angustiante”, completa.

O palhaço Bingo mostra um tipo de humor que hoje em dia seria inaceitável na sociedade atual. Rezende relembra que tudo era excesso em 1980, que existia uma grande loucura por conta das drogas. Brichta também destaca que a liberdade e espontaneidade eram muito maiores naquela década, mas que houve um amadurecimento da sociedade atual.

Mas será que dá para fazer humor politicamente incorreto nos dias de hoje? Para o ator, é possível ser engraçado respeitando as minorias.

“Acho que dá para fazer humor sem sacanear as minorias. Não olho para voltar no tempo e prender todo mundo, faz parte do amadurecimento como sociedade. Havia mais espontaneidade e liberdade na década de 1980. É possível fazer humor respeitando o politicamente correto e temos exemplos disso. A gente progride”, concluiu.