“Não vamos ser nem beque governista, nem ponta de lança oposicionista”, diz líder do PMDB sobre CPI da Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 06/05/2014 19h34

No jogo político que corre em Brasília acerca da CPI da Petrobras, o deputado federal Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, usou a linguagem futebolística para descrever a posição de seu partido nas investigações: “Não vamos fazer o papel nem de beque governista, nem vamos ser ponta de lança oposicionista; nós vamos nos ater aos fatos, que são os fatos que têm que ser apurados”, diz Cunha em entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan.

“A gente acha que tem um malfeito, sim, na Petrobras, estes estão fartamente denunciados – há um ex-diretor da Petrobras preso, há uma série de denúncias na imprensa que precisaram ter respostas, e isso tem que ser apurado”, exemplifica o deputado. “A gente quer participar de uma resposta à sociedade sobre esses malfeitos que são denunciados”, afirma.

Cunha, no entanto, se recusa a prever as consequências eleitorais das investigações da Comissão Parlamentar – “não é intenção nossa”, diz.

Questionado do fato de a CPI ter maioria governista por questões regimentais, Eduardo Cunha diz que não conhece “CPI chapa branca”. Na CPI, você “sabe como começa, nunca sabe como acaba”, assevera o líder do PMDB, citando a CPI da época de Collor a dos Correios, que revelou o mensalão, e ambas tinham “a maioria enorme de um lado ou de outro”. Cunha diz que “o que dita ou não o rumo de uma CPI é o fato que está sendo investigado e apurado, que pode surgir, e a cobertura desse fato”.

O deputado também parece não temer que a CPI mista seja sufocada pela CPI apenas do Senado, que estava sendo votada na noite desta terça (06). “O regimento do Congresso é muito claro: uma vez lido o requerimento numa sessão no Congresso, passada a meia-noite do dia em que você pode apor ou retirar assinaturas, publicada a conferência de assinaturas, a CPI já está regimentalmente criada, então ninguém vai poder deixar de criar mais a CPI mista, porque ela tem um rito regimental diferenciado”, explica Cunha.

“Está criada a (CPI) do senado, está criada a mista, a política que vai ditar que uma ou outra prepondere”, complementa. “Nós não vamos aceitar que não se tenha a CPI mista, que ela já está criada, tanto que o presidente Renan (Calheiros) marcou para amanhã (quarta, 7) uma sessão no Congresso para pedir as indicações”, aguarda o líder do PMDB.

Eduardo Cunha repudia veementemente também os boatos de que a ala do PMDB poderia usar a CPI da Petrobras para negociar cargos. Ele diz que a briga com o governo é uma “coisa mais do que superada”. “Toda vez que tentam colocar que a bancada do PMDB na Câmara é fisiológica, quer trocar algo por cargos, os fatos não correspondem às versões que divulgam”, diz Cunha, citando um acontecimento que decorreu durante a reforma ministerial de Dilma: “A bancada do PMDB na Câmara dos deputados entregou os ministérios que tinha, não quis indicar substitutos, não indicou qualquer cargo”.