Número de mulheres refugiadas cresce 57% em São Paulo

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2017 10h29
O cotidiano dos Haitianos em busca de emprego em SP

Cresce o número de mulheres refugiadas em São Paulo em 2016. A maioria veio da África e trouxe os filhos à tira colo: 173 estavam grávidas. Um salto de 57% em relação ao ano anterior.

A mudança de perfil padrão faz parte de um relatório que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e a Organização Internacional Caritas divulgaram nesta quarta-feira (22) aqui na capital.

O relatório contrasta com um levantamento anterior, de 2013.

Até então era bem mais comum ver homens pedindo refúgio. Eles tentavam estabelecer a vida fora de um país em conflito para mandar dinheiro para a família ou se esforçavam para trazer mulher e filhos em segurança ao Brasil.

De acordo com o Diretor da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Padre Marcelo Maróstica, os principais países de origem em 2016 mudaram.
Os sírios já não estão em maior número. No topo da lista agora estão Angola, Nigéria e República Democrática do Congo.

Em 2013, as mulheres eram 13% dos refugiados do Estado. Hoje representam 36%.

Apesar de o número de cidadãos venezuelanos que pediram refúgio no Brasil ter aumentado quase 900%, o padre ainda não vê reflexos desse movimento na capital.

O congolês Sikabaka Prosper, pai de um garotinho de um ano nascido aqui, tenta imaginar as dificuldades que a esposa encontraria se chegasse sem ele em São Paulo. “Seria mais difícil para ela se virar aqui. Primeiro por causa da língua, depois o preconceito por ela ser refugiada e negra. Minha esposa é formada, mas tem dificuldade para trabalhar na área e depois tem a questão de creche”, disse.

Metade dos 10 mil refugiados que vivem no Brasil está concentrada em São Paulo. Em parte, pelo apelo econômico da capital.

O ativista angolano Raul Lindo contou que a facilidade com a língua portuguesa pesou na decisão. Mas deixa claro que quando se é ameaçado de morte, não há muito tempo para se ponderar sobre as oportunidades de emprego de um país. A busca é outra: “o que está em primeira coisa é a paz. Então as pessoas não vêm ao Brasil para assunto econômico, mas para encontrar paz, a tranquilidade social”.

Outra novidade no levantamento. Tem crescido o número de crianças ou adolescentes que chegam sozinhos por aqui. Só no ano passado foram 23.

*Informações da repórter Carolina Ercolin