“O momento é de temperança”, diz ministro Marco Aurélio após tensão entre Planalto e STF

  • Por Jovem Pan
  • 12/06/2017 10h40 - Atualizado em 29/06/2017 00h06

"Precisamos apurarMarco Aurélio Mello - STF

Neste fom de semana, o presidente Michel Temer foi acusado pela revista “Veja” de pedir para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava Jato. Temer negou. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, reagiu com indignação à possibilidade. E o ministro Marco Aurélio Mello, já nesta segunda-feira (12) tenta colocar panos quentes.

“Cabe apenas esperar que as instituições funcionem. Ou seja, não há campo para qualquer retaliação, não há campo para trazer-se, visando a comprometer a atuação equidistante do ministro Luiz Edson Fachin, dados que são anteriores ao momento em que ele tomou posse como ministro do Supremo”, disse Marco Aurélio. A reportagem de “Veja” diz que foram levantados dados antigos que apontariam um relacionamento de Fachin com Joesley Batista, dono da JBS e delator.

“Agora o momento é de temperança, o momento é de atua-se, e não se incentivar a celeuma sobre o que vem ocorrendo no Brasil. Nós precisamos trabalhar compLouvável o trabalho realizado pelo relator, ministro Herman Benjamin. Agora, houve uma decisão, que foi proclamada, e ela deve ser observada

reendendo que os homens aceitam muito mais gestos e atos que palavras”, afirmou o ministro em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

O ministro Marco Aurélio também criticou uma suposta intervenção no Judiciário. “É inimaginável que se possa ter isso, um órgão público levantando dados de quem vem atuando personificando o Supremo”, disse. Ele revelou ainda que Temer ligou para Cármen Lúcia antes mesmo de a reportagem ser veiculada. “Antes de a nota ser divulgada, o presidente da República conversou com a presidente do Supremo e disse que não havia nada partindo do Palácio do Planalto sobre essas investigações”.

Aécio

O ministro Marco Aurélio é o relator da denúncia em relação ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB licenciado, e revelou os próximos passos em relação ao caso.  Aécio foi denunciado pelo procurador-geral Rodrigo Janot por corrupção passiva e obstrução à Justiça, após ter sido gravado solicitando R$ 2 milhões em suposta propina da JBS.

“Agora vamos definir esses incidentes para, posteriormente, darmos sequência à denúncia apresentada pelo procurador-geral da República”, disse Marco Aurélio, explicando que há agravos interpostos dos presos na operação e da defesa senador, que quer retomar o cargo. O ministro solicitou a posição da PGR, que enviou a contraminuta na sexta (9) à noite.

“Já amanhã (terça, 13) estarei levando em questão de ordem à turma requerimento da irmã do senador (Andrea Neves, presa preventivamente por suposta participação na solicitação da propina) visando à soltura, ou seja, a liberdade”, revelou o ministro.

“Por que não enfrentei sozinho esse requerimento? Porque (a prisão de Andrea) é um ato de um colega com o qual ombreio (Fachin) e não posso partir para a autofagia, ou seja, um exame como se eu fosse censor do colega, do ato praticado”, explicou também.

Marco Aurélio Mello terminou a entrevista fazendo um apelo pela paz. “Que a paz realmente prevaleça, com as instituições funcionando, o que dá esperança à sociedade quanto a dias melhores”, concluiu.

TSE

Marco Aurélio comentou brevemente a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que absolveu o presidente Temer por crimes eleitorais de 2014. Ele elogiou o ministro relator Herman Benjamin, que foi voto vencido ao propor a cassação da chapa Dilma-Temer, mas lembrou que a decisão já foi tomada.

“Louvável o trabalho realizado pelo relator, ministro Herman Benjamin. Agora, houve uma decisão, que foi proclamada, e ela deve ser observada”, afirmou.

Assista à entrevista: