Olimpíada aumenta os riscos da entrada de novos vírus no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 28/03/2016 10h58

Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que as internacções no sistema único são mais frequentes no Norte (73SUS Hospital

A comunidade científica teme que a Olimpíada represente nova ameaça à saúde pública no Brasil, como ocorreu com o zika vírus. Quase sete milhões de turistas e atletas de 206 países são esperados no Rio de Janeiro em agosto para os Jogos Olímpicos. Um estudo publicado na revista científica Science mostrou que o zika foi trazido entre maio e dezembro de 2013, possivelmente na Copa das Confederações.

O virologista Gúbio Soares, da Universidade Federal da Bahia, explica que a principal ameaça agora é o coronavírus MERS, descoberto na Arábia Saudita: “O Brasil deve ficar alerta, disponibilizar kits, fazer diagnósticos mais rápidos para esses vírus, principalmente o MERS que é altamente contagioso e mortal muitas vezes, e também atento a outros vírus que podem vir com os estrangeiros”.

O MERS chama atenção da Organização Mundial da Saúde desde 2012 e já matou mais de 400 mil pessoas, especialmente na Ásia e África. No entanto, a doença é muito parecida com a gripe, inclusive pela forma de contágio, e já foi identificada em 25 países, entre eles, a Alemanha.

Para diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro da Costa Vasconcelos, a única forma de evitar novos danos sanitários ao Brasil é erradicar o mosquito Aedes aegypti do Rio de Janeiro. Em entrevista a Carolina Ercolin ele informa que já alertou o Ministério da Saúde sobre a necessidade de prevenção: “Fortalecer de forma intensa o controle vetorial, a partir de maio até o fim das paraolimpíadas, para impedir a entrada de outro vírus”.

Vasconcelos liderou o estudo que estabelece a relação entre a chegada do zika ao Brasil e a delegação do Taiti em 2013. Os especialistas dizem que o país deve estar preparado para montar barreiras sanitárias, além de isolar pacientes infectados durante os Jogos Olímpicos.