Augusto comenta desculpas de Lula por ter protegido terrorista: ‘Ele não sente nada’

Ex-presidente lamentou ter defendido o extremista italiano Cesare Battisti, que no ano passado confessou quatro assassinatos, e culpou o seu então ministro da Justiça, Tarso Genro

  • Por Jovem Pan
  • 21/08/2020 20h32 - Atualizado em 21/08/2020 20h35
Jovem PanLula negou a extradição e concedeu asilo político a Battisti

“Se o Lula começar a pedir desculpas por tudo que fez de errado, vai precisar de mais 30 anos pra terminar o rosário de conversas fiadas, porque ele não sente nada”, afirmou o comentarista Augusto Nunes, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pando, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter pedido desculpas por ter protegido o extremista italiano Cesare Battisti, que no ano passado confessou quatro assassinatos na década de 1970. No último dia de seu mandato, Lula negou a extradição e concedeu asilo político a Battisti, que por quatro décadas viveu na França, México e Brasil, alegando ser inocente, até que em 2019 foi extraditado da Bolívia e condenado à prisão perpétua na Itália.

O ex-presidente culpou, ainda, o seu então ministro da Justiça, Tarso Genro que, “assim como outros líderes da esquerda brasileira”, estava convencido da inocência de Battisti. “O Tarso Genro quando tomou a decisão, ele tomou a decisão porque achava que ele era inocente. O Tarso Genro me disse o seguinte: ‘não dá para mandar ele embora porque ele pode ser detonado na Itália e ele é inocente’, declarou em uma entrevista ao canal de YouTube TV Democracia nesta quinta-feira, 20. Para Augusto, “Lula e Tarso são comparsas, e essa dupla não dá para desfazer”. Segundo o comentarista, Tarso Genro chegou a hospedar Battisti em sua casa. Depois, o assassino voltou para a Itália e “desmoralizou” os dois, confessando os crimes de assassinato, continuou Augusto.

De acordo com ele, houve uma dupla agressão à Itália: primeiro, um desrespeito ao tratado de extradição; segundo, quando Genro disse em entrevistas e artigos que Battisti combateu o regime ditatorial na Itália. “Qualquer sujeito que tem mai de 10 leituras de jornais por ano sabe que a Itália deixou de ser ditadura depois da guerra. A Itália conseguiu vencer o terrorismo e a máfia, e o Genro vem dizer que tinha ditadura e que Batistti era um guerreiro italiano lutando pela liberdade”, afirmou Augusto.

O filho de um joalheiro morto pelo terrorista chamou as desculpas de Lula de “inúteis”. “Melhor tarde do que nunca. Mas, são inúteis. Agora quero ver o que diz quem havia apoiado sua decisão. Porque falar isso hoje? Para ser notícia? Terá suas motivações pessoais. Eu fico atônito. Mas, volta-se a esse caso ciclicamente. Se sobre Battisti não se fala há três meses, começo a me preocupar. Mas, nós não fazemos nada com as suas desculpas”, disse Torregiani.