Bolsonaro à Jovem Pan: é preciso uma fissura no exército venezuelano para derrubar Maduro

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2019 19h00 - Atualizado em 09/04/2019 08h05
Alan Santos/PREm clima descontraído, o presidente conversou com o jornalista Augusto Nunes durante cerca de uma hora

Jair Bolsonaro afirmou ser necessária uma “fissura” no Exército venezuelano para que a dita dura de Nicolás Maduro chegue ao fim. O presidente concedeu uma entrevista exclusiva à Jovem Pan nesta segunda-feira (8), no Palácio do Planalto. Na conversa com o comentarista Augusto Nunes, falou sobre a composição de seu ministério, revelou os motivos da queda de Ricardo Vélez Rodríguez da pasta da Educação e anunciou mudanças para endurecer o benefícios da Lei Rouanet.

Confira a íntegra da entrevista em vídeo AQUI.

Abaixo seguem alguns trechos:

Venezuela

Bolsonaro afirmou que a questão da Venezuela está sendo capitaneada pelos Estados Unidos e que todas as possibilidades sobre o país vizinho estão sendo consideradas, inclusive uma intervenção no Exército local. “Na fraqueza do Maduro está a força da ditadura”, disse.

“A nossa intenção e a dos americanos é que haja uma fissura no Exército, porque é ele que ainda sustenta o Maduro. São as Forças Armadas que decidem se um país vive em democracia ou em ditadura”, disse. “O que não pode é continuar como está.”

Bolsonaro também reforçou que os embargos econômicos ajudam a pressionar pela saída do ditador venezuelano.

Ministério da Educação

Sobre o MEC, o presidente disse que a demissão de Ricardo Vélez Rodrígues do cargo aconteceu por “problemas de gestão”. Segundo o presidente, o colombiano “lamentavelmente não tinha expertise com gestão”.

“Era simpático, amável, competente, mas deixou a desejar e não podemos deixar sangrando um ministério importantíssimo como o MEC”, disse.

O presidente ainda elogiou o novo chefe da pasta, Abraham Weintraub. “É uma pessoa gabaritada, sabe gerir e está mais ou menos na minha linha”, disse, prometendo dar carta branca ao ministro para nomear cargos no MEC. “Todas as secretarias serão indicadas por ele, tem o poder de veto”.

Questionado sobre qual nota daria para os titulares do seu ministério, disse que a equipe “é nota 10”.

Lei Rouanet

O presidente também afirmou que irá endurecer as regras de concessão de verbas através da Lei Rouanet, uma promessa sua de campanha. O benefício, que aceita renúncias fiscais de empresas que queiram patrocinar projetos artísticos, foi alvo de Bolsonaro durante toda a eleição.

“Nós estamos [sic] botando uma trava na Lei Rouanet”, anunciou. “Antes, o teto de concessão era de R$ 60 milhões. Agora vai ser de R$ 1 milhão e já tem gente reclamando, querendo privilégio. Dá um milhão na minha mão que eu faço milagre.”

Israel

Questionado sobre a abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém, anunciado durante sua recente viagem ao país, o presidente comparou a relação com Israel a um “casamento”.

“É igual um casamento: você namora, fica noivo, depois casa, isso é em etapas. É diferente dos Estados Unidos, que abriram uma embaixada lá em Jerusalém, eles têm uma economia vinte vezes maior que a nossa e podem fazer isso. Agora, o próprio governo decidiu que a capital é Jerusalém ocidental, que não é contestada, então não há problema nenhum”, afirmou.