Ex-ministro de Temer sobre nova delação: ‘Esse pessoal tem a certeza da impunidade’

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2019 19h28
Acácio Pinheiro/MincCalero disse que o Ministério Público foi "bem assertivo e direto" na acusação contra os políticos do MDB

O deputado federal e ex-ministro da Cultura do governo de Michel Temer Marcelo Calero afirmou nesta segunda-feira (13), em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, que o Ministério Público foi “bem assertivo e direto” na acusação que fez contra políticos do MDB, como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o deputado cassado Eduardo Cunha.

Segundo Calero, “esse pessoal tem a certeza da impunidade”. O deputado lembrou que Temer, Geddel e Cunha são os mesmos personagens da ação de improbidade administrativa em que foram acusados de o ter pressionado, a fim de conseguir um parecer técnico do Iphan favorável à liberação da construção do edifício La Vue Ladeira da Barra, numa área tombada em Salvador. Calero foi o responsável por revelar o esquema de corrupção.

“Eles achavam que eu faria qualquer coisa para segurar o meu cargo. Como essa engrenagem [de corrupção] é tão grande, eles tem a certeza que criam uma teia perfeitamente tecida, contam que nunca ficarão expostos”, declarou o deputado. De acordo com ele, no entanto, “carece a eles o mínimo de inteligência, porque acreditar que todas as pessoas que terão contato com essa teia vão anuir à corrupção é no mínimo burro”.

Ele afirmou ainda que “quando você diz um não, toda a engrenagem se desmonta”. “A partir dessa negativa que eu e meu corpo técnico sustentamos, nós conseguimos desbaratar todo um esquema que movimentava milhões”.

Para Calero, a decisão do Ministério Público Federal é uma “captura do estado de uma organização criminosa que tem como prioridade os seus interesses particulares”.

Sobre a nova delação

Nesta segunda-feira (13), a Justiça homologou a delação premiada do empresário Henrique Constantino, um dos donos da empresa aérea Gol, em um desdobramento da Operação Lava Jato, informou o jornal O Globo. Nela, admitiu pagamentos de propina a políticos do MDB, como o ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, em troca da liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal para suas empresas.