‘Atitude descabida’, diz Juíza Selma sobre pressão de Flávio Bolsonaro à CPI da Lava Toga

Senadora diz que filho do presidente pediu aos gritos para que ela retirasse sua assinatura

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2019 19h21
Roque de Sá/Agência SenadoA senadora Juíza Selma Arruda (PSL-MT)

A juíza e senadora Selma Arruda (PSL-MT) reafirmou nesta sexta-feira (13), em entrevista ao programa Os Pingos nos Is da Jovem Pan, ter sido pressionada pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) a retirar a sua assinatura no pedido de instalação da CPI da Lava Toga. Segundo ela, o filho do presidente também ligou para os senadores Soraya Thronicke (PSL-MS) e Major Olímpio (PSL-SP) “nos mesmos termos”. “Uma atitude mal educada e descabida”, declarou.

“Eu estava em casa, vi que a ligação era dele e atendi tranquilamente. Ele [Flávio] começou a perguntar porque queríamos prejudicar ele, e eu não gosto de ouvir gritos. Pedi para ele abaixar a voz e ele não abaixou e eu desliguei. Ligou para Soraya e Major Olímpio nos mesmos termos. Ficamos sem entender, porque o que assinamos é uma CPI para investigar um abuso de poder”, contou. “Depois disso não falei mais com ele”, completou.

A juíza pontuou que, embora tenha identidade com os princípios do PSL, cogita sair do partido, pois “não pode admitir esse tipo de ingerência”. “O fato de ser filho do presidente não o faz maior ou menor que qualquer um de nós”, alegou.

Selma é uma das signatárias do requerimento para criar a comissão parlamentar de inquérito – batizada de CPI da Lava Toga – que vai investigar integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), como o presidente, Dias Toffoli.

Segundo ela, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não pode se recusar a instalar a CPI se ela tiver o número mínimo de assinaturas, que são 27. Os senadores devem protocolar um novo pedido de instalação na próxima terça-feira (17).

Cassação de mandato

Selma, que se auto-intitula “Moro de saia” pela sua plataforma de combate à corrupção, também comentou a manifestação enviada nesta terça-feira (10) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, para manter a cassação do seu mandato como senadora.

Ela disse que está sendo “injustamente acusada”, pois prendeu figuras políticas muito proeminentes, e “isso obviamente causou uma retaliação”. “Tecnicamente, estou certa da minha absolvição. No meu estado fui uma juíza que tinha a mesma função que o [ministro da Justiça Sergio] Moro tinha na Lava Jato”, afirmou.

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso cassou o mandato de Selma em abril deste ano, e o TRE decidiu manter a decisão. Nesta semana, Dodge se manifestou favoravelmente à medida. A senadora foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), junto com seus suplentes, por abuso de poder econômico e prática de caixa 2 de campanha em 2018.

A juíza explicou que, em abril do ano passado, contratou uma empresa de publicidade para fazer uma pesquisa quantitativa e qualitativa para avaliar se a sua imagem era suficiente para se candidatar ao Senado, o que gerou “alguns gastos em abril e maio”. Entretanto, de acordo com ela, eles foram contabilizados como gastos de campanha, e como não foram declarados, foi acusado o caixa 2. “Eu sou a única política do Brasil que teve obrigação de declarar gastos de pré-campanha.”

Confira a entrevista completa: