Moro: ‘Paulo Guedes não quer o Coaf’

“O presidente Jair Bolsonaro me ofereceu e achei pertinente”, declarou o ministro da Justiça. Órgão pertencia ao Ministério da Fazenda

  • Por Jovem Pan
  • 01/05/2019 18h06 - Atualizado em 01/05/2019 19h31
Marcos Corrêa/PRSergio Moro afirmou que o Coaf estava "esquecido" no governo de Michel Temer

Em entrevista exclusiva ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, exibida nesta quarta-feira (1), Sergio Moro defendeu a permanência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em sua pasta.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública afirmou que Paulo Guedes não quer que o órgão volte para o Ministério da Economia (antiga pasta da Fazenda): “O ministro Paulo Guedes não quer o Coaf. Ele tem uma série de preocupações, como a Nova Previdência, a questão dos juros e o desenvolvimento econômico.”

Segundo Moro, o conselho, que ele definiu como “órgão de inteligência na área de prevenção à lavagem de dinheiro”, era subaproveitado no Ministério da Fazenda, onde esteve até o fim do governo de Michel Temer. “Ele estava meio esquecido no governo anterior, no Ministério da Fazenda. Quando veio para o Ministério da Justiça, nós aumentamos o quadro de servidores”, afirmou. “Tradicionalmente, no Ministério da Fazenda, a tendência é o órgão ficar esquecido, enquanto para a Justiça e a Segurança Pública, ele é essencial, uma ferramenta importante. Ele está melhor onde está atualmente.”

Assim como a transferência do Coaf, o presidente Jair Bolsonaro determinou a junção das pastas da Justiça e da Segurança Pública assim que tomou posse. Para Moro, esse movimento fortaleceu o ministério. “Eu entendo a decisão do governo pretérito de separar a Segurança Pública da Justiça, mas houve um enfraquecimento dos dois ministérios”, disse. “A decisão anterior, embora se compreendam os motivos que levaram os parlamentares a aprovar a separação, foi absolutamente equivocada.”

Para o ministro, “aqueles que defendem uma nova separação não estão tomando a melhor decisão”. No grupo que quer o Ministério da Segurança Pública novamente independente, está o senador Major Olímpio (PSL-SP). Moro disse entender por que o parlamentar tem essa posição: “Ele tem razão em reclamar porque Justiça e Segurança Pública andaram juntas por muito tempo e a situação não melhorou, foi degringolando.” O ministro, no entanto, reforçou que a junção é a melhor solução. “O que é preciso para combater corrupção, crime organizado e crime violento? Um ministério forte, e Justiça com Segurança Pública é um ministério forte, que funciona, desde que focado nessa criminalidade mais forte”, disse.

Vaga no STF

Sobre a possibilidade de tornar-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Moro afirmou que não pensa nisso no momento. “Quando eu conversei com o presidente, nunca coloquei nenhuma condição nesse sentido para assumir o cargo de ministro da Justiça, nem seria apropriado”, explicou.

Recentemente, Moro disse que ser indicado por Bolsonaro ao Supremo seria como “ganhar na loteria”. “Usei a loteria porque quis dizer que era algo aleatório. Acho que não usei a melhor expressão, deu uma impressão monetária e não era essa a questão”, reconheceu. O ministro reforçou que, no momento, não há nenhuma vaga aberta no STF: “Quando surgirem essas vagas, quem vai saber como vai estar a situação? Seja a situação política do país, seja a minha relação com o presidente da República. A minha preocupação é fazer um bom trabalho no Ministério da Justiça e Segurança Pública, essa é a minha ambição no momento.”

Lula e Lava Jato

Juiz da Lava Jato antes de se tornar ministro, Sergio Moro ficou nacionalmente conhecido por condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão. No entanto, este não foi o caso que mais o deixou tenso. “A gente pensa muito na Lava Jato, que foi angustiante em alguns momentos, mas tive um monte de processos de crime organizado, gente do cartel de Juarez, no México. Sofri ameaça pessoal, ameaça à família, então a gente vai ficando calejado”, afirmou.

Moro também comentou a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de reduzir a pena de Lula. “Esse tema da fixação da pena não permite muita matemática objetiva, então é muito comum que juízes divirjam pontualmente”, explicou. “Estou absolutamente tranquilo com essa situação.”

Lula foi preso após condenação em segunda instância, medida que o ministro voltou a defender. “A gente tem que respeitar o devido processo e a presunção de inocência, mas o processo tem que chegar ao fim em tempo razoável e nós entendemos que é essencial essa questão da execução em segunda instância”, disse.

Na vida de Moro, o caso de Lula ficou para trás. “Não gosto de comentar a questão do ex-presidente, ele faz parte do meu passado e eu particularmente quero olhar para frente. É um assunto que não me agrada”, confessou. “Não porque acho que não tenha feito a coisa certa, mas porque já fiz a minha parte em relação a esse tema”, concluiu o ministro.

Confira aqui a outra parte da entrevista