‘Não interessa de onde é o laboratório, nossa referência é a Anvisa’, afirma Bolsonaro sobre vacinas

Segundo ele, qualquer medicamento que chega ao Brasil passa pelo crivo do órgão, que ‘faz um trabalho excepcional’

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2021 22h15 - Atualizado em 08/01/2021 00h47
ReproduçãoBolsonaro em live nesta quinta-feira, 08

Após ter dito que iria restabelecer “mais verdades” sobre a vacina contra a Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em transmissão ao vivo nesta quinta-feira, 7, que é “irresponsável” aprovar um imunizante sem passar pelo aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo ele, qualquer medicamento que chega ao Brasil passa pelo crivo do órgão, que “faz um trabalho excepcional”. “Os laboratórios não assumem nenhum efeito colateral. [É irresponsável aprovar uma vacina] sem nenhuma comprovação científica, para uso emergencial… Não interessa de onde seja o laboratório, nossa referência é a Anvisa, não dá para ser irresponsável”, disse Bolsonaro. Nesta quinta, o Brasil ultrapassou as 200 mil mortes pelo coronavírus.

No momento, a vacina mais avançada no país é a a CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, cujos resultados foram apresentados nesta manhã — o imunizante tem eficácia de 78% para casos leves. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o Butantan enviará nesta sexta-feira, 8, à Anvisa o pedido de uso emergencial. O prazo para a análise é de dez dias. Se for aceito, a vacinação poderá começar no dia 25 de janeiro, como previu Doria. Para Bolsonaro, a imunização não pode ser obrigatória, e a imposição de sanções caso a pessoa não queira tomar a vacina é “irresponsável”. “Vamos falar em democracia no Brasil também, você não pode impor algo a alguém dizendo que vai proteger a vida da pessoa. A eleição [de 2022] não interessa para mim, interessa resolver isso agora. Prefiro fazer quatro anos com responsabilidade do que irresponsabilidade para me reeleger. Não é campanha contra a vacina nem a favor, é questão de conscientização, e você na ponta da linha decide se vai tomar ou não”, disse.

Nesta semana, houve um anúncio de que as clínicas privadas de vacinação estão negociando a compra de 5 milhões de doses da vacina indiana contra a Covid-19. Ao ser questionado por comentaristas do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que também participou da live, respondeu que a questão “tem dois lados”. “A primeira coisa que precisamos é ter a proatividade do governo e do ministério e completar a demanda de vacinas para o SUS. A grande capacidade de compra vem do que será fabricado no Brasil. Com o SUS sendo atendido, deve ser comprado pela iniciativa privada, e principalmente importadas das fábricas que vendam a vacina, registrem a vacina e garantam sua eficácia e segurança. Por que não comprar dos laboratórios internacionais? Mas temos que ter capacidade de suprir o Sistema Único de Saúde e deixar a população com as vacinas disponíveis”, afirmou o ministro.