Presidente da CCJ diz que esclarecimentos de Moro ‘esvaziam’ possibilidade de CPI

  • Por Jovem Pan
  • 19/06/2019 19h22
Geraldo Magela/Agência Senado"Hoje vimos um ministro de Estado preparado pra responder, extremamente lúcido e equilibrado", disse Tebet

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, disse em entrevista ao programa Os Pingos nos Is da Jovem Pan que os esclarecimentos prestados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em audiência na Casa nesta quarta-feira (19) praticamente “esvaziam” a possibilidade de o Congresso instaurar uma CPI para investigar as supostas mensagens trocadas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol.

“É importante deixarmos claro a presunção da inocência, especialmente para quem tem uma credibilidade como o ministro. Havia um ruído na semana passada sobre a possibilidade de uma CPI, mas Moro se colocou à disposição e, a meu ver, sem diminuir os fatos, isso esvazia um pouco a possibilidade de uma CPI, se não houver fatos novos”, declarou.

Segundo Tebet, além de o líder da pasta ter prestado todos os esclarecimentos solicitados sem fugir de nenhuma pergunta, pesa a favor dessa decisão o fato de as supostas mensagens terem sido obtidas “de forma ilícitas” por um hacker e também a “satisfação” da maioria dos parlamentares e da sociedade como um todo.

“O Senado é uma Casa política e tem as ruas como termômetro. A sociedade ainda não está convencida de que o caso seja tão grave a ponto de suscitar o instrumento dos mais poderosos que o Congresso tem, que é a comissão parlamentar de inquérito”, disse, ressaltando que, de zero a dez, a chance de uma CPI seria dois.

A senadora aproveitou para elogiar a postura do ministro na audiência. “De forma imparcial e republicana, meu papel era ‘deixar a Casa respirar’. O diálogo aconteceu de forma democrática com equilíbrio e sensatez, pelo menos na forma. No conteúdo é obvio que os ânimos tendem a se exaltar por questões ideológicas e de convicção. Cada um tem o direito de dizer o que quiser. Mas, na forma, vimos todos os senadores fazer ponderações com equilíbrio e, acima de tudo, um ministro de Estado preparado pra responder, extremamente lúcido e equilibrado. Ele não fugiu do objeto da audiência, o que é louvável. Foram 8 horas e ele fez questão de ficar até o final. Poderia ter interrompido, mas estava disposto a responder. Eram 41 senadores presentes, 40 fizeram perguntas”, ponderou.

Tebet ainda afirmou que Glenn Greenwald, jornalista do “The Intercept Brasil” responsável pela divulgação dos vazamentos, pode ser convidado a também prestar esclarecimentos no Senado sobre o caso, assim como o procurador Dallagnol. “Depende apenas de algum membro da comissão apresentar um requerimento de convite.”

Confira a íntegra da entrevista