Pacientes sem atendimento e dívida milionária são os resultados da quebra da Unimed Paulistana

  • Por Jovem Pan
  • 26/10/2015 12h23
SÃO PAULO, SP, 03.09.2015: SAUDE-UNIMED - Movimentação no Hospital filiado a Unimed paulistana Santa Helena na rua São Joaquim no centro da Capital nesta quinta-feira (03). (Foto: Dario Oliveira/Código19/Folhapress)Hospital filiado à Unimed em São Paulo

 Com a quebra da Unimed Paulistana, pacientes ficaram sem atendimento e a empresa tem uma dívida milionária com hospitais privados. Fechada no dia 2 de setembro pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a operadora deixou 740 mil clientes sem plano de saúde.

Em nota enviada à Jovem Pan, a ANS informa que o acordo com a Unimed do Brasil previa desconto de 25% em relação aos preços de outros planos. Muitos clientes denunciam ofertas mais caras do que as prometidas e situações em que idosos ficaram sem opção, caso de Maria Tortorelli, de 92 anos, como relata sua filha Ivete: “Nós estamos sem garantias e pagamos a Unimed por 30 anos”.

O presidente da Associação Nacional de Hospitais Particulares, Francisco Balestrin, revela que a Unimed Paulistana tem uma dívida de 210 milhões de reais. Ele teme o risco de a empresa não pagar essa dívida com 21 hospitais de São Paulo: “Existem as mais variadas apostas, desde que a Unimed vai demorar alguns anos para pagar até a de que ninguém vai receber”.

A Associação Médica Brasileira questiona a fiscalização da ANS sobre planos de saúde. O diretor da AMB, Emilio Zilli argumenta que a quebra da Unimed Paulistana não aconteceu de repente: “O fato da Unimed Paulistana ter quebrado, de ter entrado em um regime falimentar sem a possibilidade de sair, isso não aconteceu da noite para o dia. Temos que questionar qual o papel real da Agência Nacional de Saúde Suplementar”. Ele também alerta sobre a falta de planos de saúde individuais para quem tem mais de 50 anos no Brasil.

A AMB teme que a falta de controle da ANS feche também a Unimed do Rio de Janeiro, que atende mais de um milhão de pessoas.