País parou no século 19 na parte sanitária, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 10/02/2016 09h01
Estação de Tratamento de Esgoto na região de Ribeirão Preto.

 Com a ameaça do zika vírus, a questão do saneamento básico ganha força e será tema de debate na Campanha da Fraternidade realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Instituto Trata Brasil apoia a discussão e espera que o governo e os estados se mobilizem, já que as pesquisas da ONG indicam que menos de 40% do país tem tratamento do esgoto.

Para o presidente do instituto Trata Brasil, Edson Carlos, o País se desenvolveu muito de um lado e parou no século 19 na parte sanitária. Ele afirma que é muito importante que as pessoas conheçam o que acontece com o esgoto de suas casas: “Muitos brasileiros precisam saber o que acontece com o esgoto, se ele está sendo coletado, tratado, se essa sendo jogado em uma fossa ou córrego. As pessoas acham que elas apertam a descarga e os problemas foram resolvidos, mas muitas vezes eles começam aí”.

Edson Carlos ressalta a importância da reflexão da população sobre os problemas que a falta de saneamento causam, com a transmissão de muitas doenças como leptospirose, esquistossomose, diarreia e problemas de pele, para que possam aproveitar o ano eleitoral para cobrar políticas que resolvam o tratamento do esgoto e coleta de lixo. Ele explica que muitos candidatos não tem interesse nas obras de saneamento básico: “Muitas autoridades acham que saneamento é um custo desnecessário. São obras difíceis e eles perdem o interesse porque acham que não vão conseguir terminar até o final de seu mandato”.

A falta de saneamento também facilita a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus e, para Edson Carlos, combater o mosquito sem enfrentar a questão do saneamento básico é um combate incompleto: “Precisamos focar cada vez mais no saneamento, que água tratada chegue de forma segura, para as pessoas não armazenarem de qualquer jeito, que os esgotos sejam coletados e tratados, com a coleta regular do lixo e envio para um lugar adequado. (…) O cidadão faz sua parte, na sua região, residência, mas vários focos continuam pela cidade por não ter sido feito a estrutura necessária”.