Aversos a Lula veem morte de Marisa Letícia como "justiça divina", analisa Cortella

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2017 14h29
Johnny Drum/ Jovem Pan

O filósofo e professor Mario Sergio Cortella esteve no Pânico na Rádio nesta quinta-feira (2) e, entre as discussões levantadas, analisou os comentários mal intencionados que têm sido direcionados à ex-primeira-dama Marisa Letícia, que sofreu morte cerebral nesta quinta-feira (2).

Para Cortella, isso é parte dos “ódios ideológicos que fazem confundir justiça com vingança”. “Como alguns têm aversão ao Lula, o que está acontecendo com a esposa dele é entendido como uma justiça divina”, afirmou.

Ele explicou usando uma analogia, comparando com a descoberta do HIV: “as pessoas acreditavam que quem contraía [a doença] estava sendo condenada pela justiça divina. É a ideia do bem feito pelo mal”. “A morte cerebral de Marisa pode representar a ideia de que era algo merecido, mas isso é algo muito mesquinho, ter alegria por alguém que parte pelo sofrimento. Justiça não é vingança”, analisou.

Ao refletir sobre os comentários e o “palanque” que as redes sociais oferecem para qualquer um falar, o professor reconheceu o lugar que poderia oferecer muita discussão e crescimento, mas está sendo usado “para a idiotia”.

“As pessoas ficaram décadas sem poder se expressar e ter aonde o fazer. Quando conseguiram, o fizeram de maneira infantil, com uma falação sem fim, afobada e ansiosa”, analisou. “Sempre tivemos muitos ‘idiotas’ [que do grego são aqueles que olham somente o próprio umbigo] e agora eles têm aonde aparecer e onde falar”, defendeu.

Filosofia nos dias de hoje

“O conceito de autoajuda se tornou banal, mas as pessoas estão buscando filosofia, e ela interessa porque vivemos situações de muita angústia. Com a filosofia, uma parte das pessoas questiona mais”, disse ao afirmar se preocupar com os emojis, que “são uma redução mental na comunicação”, defendeu.

“Eu vejo um cansaço no mundo digital, com coisas rasas e banalização das relações que perturba as pessoas e a filosofia lida com isso”, concluiu Cortella.