Cássio Scapin lembra a época em que deixou o Castelo Rá-Tim-Bum: “precisei de terapia”

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2014 14h06
Jovem Pan

Talvez o nome Cássio Luiz de Souza Scapin não lhe seja tão familiar em um primeiro momento. Mas provavelmente você se lembra do menino de roupa colorida e cabelo tigelinha preto com apenas alguns fios agrupados em pé interpretado por ele na televisão. Estamos falando de Nino, o protagonista do seriado Castelo Rá-Tim-Bum. Graças a ele, o ator passou a integrar o grupo de profissionais que teve a carreira marcada permanentemente por um personagem de destaque. Em entrevista ao Pânico nesta terça-feira (13), ele comentou a importância do trabalho em sua trajetória e relembrou as dificuldades que teve para deixá-lo para trás. 

“O programa estava indo muito bem. Eu estava ganhando dinheiro, estava feliz, mas percebi que devia fazer outra coisa. Percebi que precisava largar aquilo, senão não largaria nunca. E largar uma coisa que está dando tão certo assim é difícil. Até porque o Castelo foi meu primeiro tiro, eu era muito jovem, e ele acabou dando certo logo de cara. Precisei de terapia. Era um passo importante na minha carreira”, disse. 

A série foi produzida de 1994 a 1997 na TV Cultura. Com ela, Cássio deixou o anonimato e se tornou conhecido em todo o país – não só naquela época, mas ainda hoje, em que continua tendo o mesmo prestígio de antes nas ruas. 

“Do ponto de vista profissional isso é fantástico. Poucas vezes os atores têm um reconhecimento desses. Ontem, por exemplo, fui jantar em um restaurante e uma família ficou horas passando por mim. Eles iam, voltavam, iam, voltavam. Até que vieram falar comigo, contaram que todos eram meus fãs desde aquela época. Às vezes ainda me tratam como o personagem! É constrangedor e bacana ao mesmo tempo. Tenho até ato falho, as pessoas chamam algum Nino e eu atendo, mas nem é comigo (risos)”, brincou. Cássio Scapin lembra a época em que deixou o Castelo Rá-Tim-Bum: “Precisei

O convidado esteve na bancada ao lado de Rosi Campos, atriz com quem está em cartaz em São Paulo com a peça Terceiro Sinal. Curiosamente, ela também fez parte do elenco do Castelo Rá-Tim-Bum, mas não chegou a contracenar com o companheiro. 

“Todo mundo acha que nós sempre trabalhamos juntos, mas não. Essa é primeira vez que, de fato, estamos juntos. Antes não contracenávamos”, explicou ela. “Esta peça é um clássico de Michael Frayn que já foi montada no mundo todo. Ele é um super dramaturgo e faz aqui uma grande brincadeira: coloca uma peça dentro de outra peça. Nós ensaiamos no primeiro ato e depois, no segundo ato, o cenário muda. Quem nunca foi ao teatro vai ter que ir duas vezes para entendê-la. É difícil mesmo. Tem que estar preparado”, explicou em seguida. 

Após falar sobre o espetáculo, a dupla comentou as dificuldades pelas quais o teatro brasileiro passa. Para eles, o argumento de que o formato não se sustenta por ser caro e elitista não condiz com a realidade. 

“O teatro está menos expressivo, sim. Tem a questão da sobrevivência, do patrocínio, que é cruel para quem vive de teatro. É uma batalha diária. Mas a questão do preço não é a resposta. Fiz um espetáculo recente no CCBB que custou de R$ 5 a 10. Depois fomos para outro teatro maior e passou a ser de R$ 25 a 50. Quanto custa uma pizza? R$ 50! Mesmo na sequência da peça tinha um stand-up por R$ 60 que lotava sempre! O nosso, indicado a vários prêmios, não enchia. No Brasil não existe estímulo para cultura, para educação, esse é o problema”, afirmou Cássio. 

“É uma questão cultural mesmo. O cara vai para a balada e gasta R$ 300, mas acha um absurdo gastar muito menos com teatro”, adicionou Rosi.

SERVIÇO 
Terceiro Sinal
Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis
De 2 de maio a 27 de julho
Sextas às 21h30; sábados às 20h e 22h; domingos às 20h
Informações: (11) 3823-2323 ou www.teatrofolha.com.br