Especialista em direito ambiental aponta interesses econômicos europeus por trás da questão da Amazônia

Para o professor doutor Celso Antonio Pacheco Fiorillo, europeus estão interessados nos recursos naturais da Amazônia

  • Por Jovem Pan
  • 27/08/2019 13h54
Jovem PanO professor doutor Celso Antonio Pacheco Fiorillo foi o convidado do Pânico nesta terça-feira (27)

O professor doutor Celso Antonio Pacheco Fiorillo, um dos maiores especialistas em direito ambiental do Brasil, afirmou, em entrevista ao Pânico, nesta terça-feira (27), que há muitos interesses econômicos por trás da questão da Amazônia e do interesse europeu na floresta.

“A Amazônia é uma questão econômica”, resumiu o especialista. “É um fetiche da Europa, tem os principais recursos naturais do mundo”, explicou.

Fiorillo ainda comparou a interferência do presidente da França, Emmanuel Macron, à partilha da África, no século 19. “Essa discussão com o presidente da França é uma repetição do século 19”, disse, lembrando de quando os europeus repartiram o continente africano sob o pretexto do “fardo do homem branco”.

Para o doutor, a Amazônia tem recursos que interessam aos europeus. “Os recursos naturais para os países desenvolvidos seguirem adiante dependem do que está na Amazônia”, afirmou. “A tese é dizer que esse espaço é de todos.”

O especialista ressaltou que a Constituição Federal diz que a região amazônica em solo brasileiro é de propriedade do Brasil. “Quem tem que resolver os problemas que existem [na Amazônia] somos nós, os brasileiros”, disse.

Ele afirmou que a soberania nacional está sendo ameaçada com a crise entre o presidente Jair Bolsonaro e Macron. “Não é brincadeira quando a gente vê um europeu ameaçando a soberania brasileira”, destacou. “Como militar, o presidente tem clareza do que é a soberania nacional.”

Fiorillo também desmistificou a tese de que a Amazônia é intocável. O professor argumentou que a Constituição prevê que recursos naturais podem ser extraídos da região. “Tem acontecido uma série de movimentos no país do nada pode. A Constituição Federal estabelece a maneira pela qual pode acontecer a extração de minerais”, explicou. “Essa história de que não pode tocar é inconstitucional.”