‘Uma morte nem sempre quer dizer que foi acerto’, diz especialista em sequestros sobre caso no Rio

Em entrevista ao Pânico, coronel Mascarenhas disse que a polícia do Rio deve ter tido um motivo para matar o sequestrador do ônibus na Ponte Rio-Niterói

  • Por Jovem Pan
  • 20/08/2019 14h20
Jovem PanO tenente-coronel Wanderley Mascarenhas de Souza foi o convidado do Pânico nesta terça-feira (20)

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Wanderley Mascarenhas de Souza comentou, em entrevista ao Pânico, nesta terça-feira (20), o sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro, que terminou com a morte do sequestrador.

O coronel Mascarenhas, especialista em sequestros e negociações, explicou que a morte do sequestrador não necessariamente significa que a ação foi acertada. “Uma morte nem sempre quer dizer que foi acerto ou erro. A gente tenta preservar todas as vidas, as dos reféns e a do próprio motivador da crise”, disse.

Ele, no entanto, afirmou que a polícia do Rio deve ter tido algum indício de que o bandido iria atentar contra a vida dos reféns. “Nesse caso, ele tinha preparado o ambiente para começar um incêndio. Ele poderia fazer isso a qualquer momento. Para preservar a vida dos reféns, a polícia agiu”, explicou. “A polícia não pode correr riscos.”

O sequestrador foi morto por um sniper, que aproveitou um momento de distração quando ele desceu do ônibus e virou de costas. “O sniper é um policial de um tiro só, ele precisa de um tiro muito certeiro”, disse o coronel.

Negociação

Um dos peritos em negociações com sequestradores da PM de São Paulo, o coronel Mascarenhas explicou que a função de um negociador é ganhar tempo. “Os primeiros 45 minutos são os mais cruciais, quando as tensões estão elevadas e começam a diminuir”, disse.

Para isso, ele precisa saber a motivação do sequestrador. No caso do Rio de Janeiro, Mascarenhas disse que o bandido não queria simplesmente roubar as pessoas. “Ele precisava mostrar que era uma pessoa importante, que tinha uma visibilidade na sociedade”, afirmou. “Esse momento era o momento de glória dele, mostrar que é uma pessoa para a sociedade.”