Deltan Dallagnol sobre atritos da Lava Jato com a PGR: ‘Força-tarefa incomoda muita gente’

O procurador da República participou do Pânico nesta quinta-feira (2)

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2020 14h20 - Atualizado em 02/07/2020 14h39
Divulgação/Ministério Público do ParanáO procurador da República Deltan Dallagnol participou do Pânico nesta quinta-feira (2)

O procurador da República Deltan Dallagnol comentou, em entrevista ao Pânico nesta quinta-feira (2), os atritos da força-tarefa da Lava Jato com a Procuradoria-Geral da República. A PGR vem fazendo nos últimos dias um movimento contra as forças-tarefas, como a que comandou a operação contra a corrupção.

“Eu preciso reconhecer que a força-tarefa incomoda muita gente, incomoda criminosos e corruptos”, disse Deltan, explicando que esse “é o trabalho do Ministério Público”.

O procurador criticou a fala de Augusto Aras, procurador-geral da República, sobre as forças-tarefas serem grupos clandestinos. “É muito errado dizer que as forças-tarefas são trabalhos clandestinos. Elas foram criadas institucionalmente para fazer um trabalho que um procurador sozinho não conseguiria fazer”, explicou. “Não entendo porque está se criando discurso com o efeito de propiciar o desmonte das forças-tarefas.”

Dallagnol afirmou que a tentativa de acabar com as forças-tarefas é um “risco de retrocesso institucional” e garantiu que a Lava Jato continua trabalhando, mas com destaque menor na mídia. “Embora continuamos oferecendo uma série de acusações, depois de algo imenso, as coisas, mesmo grandes, não chamam mais a atenção”, disse, em referência às acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro e STF

Ainda na entrevista, Deltan Dallagnol falou sobre o combate à corrupção no governo de Jair Bolsonaro. Ele disse que a bandeira parece ter sido esquecida. “Existia um discurso muito forte anticorrupção, mas não se converteu em ações”, lamentou.

O procurador preferiu não falar sobre a suposta intervenção do presidente na Polícia Federal, acusada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro, mas afirmou que isso é uma prática de governos autoritários. “Se constatado, é algo muito grave, aponta para uma possível instrumentalização dos aparelhos persecutórios do Estado, algo comum em Estados autoritários.”

Dallagnol ressaltou que a manutenção da democracia é fundamental para o combate à corrupção e condenou os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). “A gente precisa proteger as instituições e precisa delas para a nossa democracia”, disse. “Critico decisões e atos [do STF], mas precisamos proteger as instituições.”