“Dizer que a performance do MAM é a favor da pedofilia é exagero”, avalia Luiz Felipe Pondé

  • Por Jovem Pan
  • 17/10/2017 14h25
Johnny Drum/ Jovem Pan

A performance do MAM que foi acusada de pedofilia por grupos conservadores segue sendo fonte de debates acalorados. No Pânico na Rádio desta terça-feira (17), Luiz Felipe Pondé defendeu o direito do artista e do museu de exibirem a performance e afirmou que a liberdade de expressão deve ser protegida “mesmo com os riscos” que ela possa apresentar.

“Dizer que o caso é a favor da pedofilia é um exagero”, disparou Pondé. “Acho que não tem nada a ver colocar um cara pelado no meio de um museu se tiver criança circulando, mas ao mesmo tempo não tem que proibir a exposição. É um equívoco pensar que a mera e simples exposição da nudez garante o desejo sexual”, explicou.

Para o escritor, um detalhe importante que cerca essa discussão é o “surgimento de pessoas com atitude reacionária, conservadoras”. “Elas estão perdendo a vergonha de se mostrar. É como se o trauma da ditadura tivesse passado”, avaliou.

A crescente intolerância na maioria dos debates atuais também foi analisada por Pondé, que lembrou uma forma um tanto bizarra com que ela foi controlada no passado.

“A sociedade de mercado produziu certa tolerância no mundo ocidental. As pessoas focadas em comprar coisas ficam menos agressivas”, falou. 

“O crescimento econômico e a estabilidade de consumo deixam todo mundo meio bobo e sendo feliz e isso produz tolerância por cansaço porque se está cansado por outra coisa. As pessoas ficam circulando na sua bolha e podem continuar a ter suas preferências meio intolerantes”, concluiu.

“Amor Para Corajosos”

Lançando seu mais novo livro, “Amor Para Corajosos”, Pondé discorreu sobre dois pensamentos intrigantes: a questão trágica sobre a “necessidade” de uma guerra e a busca pelo amor na sociedade.

“Temos pensado que no mundo não terá mais guerra porque segurança demais constrói pessoas meio bobas. Então não há necessidade de certa dose de sofrimento para deixarem de serem bobas?”, questionou. “Felicidade não é um direito. Acontece de vez em quando e tem que lutar para conseguir isso. Não significa dizer que guerra é bom, mas é discutir a realidade”, falou.

Quanto à segunda questão, o escritor afirmou que as pessoas tendem a se colocar em uma via de mão dupla entre um amor estável e um amor avassalador.

Ao responder, Pondé foi direto. “Existe a expectativa de que a vida seja feita de amores românticos e paixões avassaladoras, de encontrar alguém que traga sentido pra vida. Mas a maior parte do tempo todos queremos uma vida tranquila, com rotinas e continuidades”, falou.