Dupla Caju & Castanha explica ter “dom de Deus” para a embolada nordestina

  • Por Jovem Pan
  • 04/11/2014 13h25
Nathália Rodrigues/Jovem Pan

Nesta terça-feira (4), Caju & Castanha trouxeram a sua embolada nordestina para o programa Pânico. A dupla falou sobre o começo de carreira, a difícil chegada à capital, além de emendarem alguns versos ao vivo.

“Não existe curso, é um dom de Deus, comecei com cinco anos de idade nas feiras, nas praças, ouvia Luiz Gonzaga, eu e meu irmão com dois pandeiros de lata de doce para coletar moedas. A aglomeração de pessoas se formava. Quem não pagava a gente ridicularizava”, conta Castanha entre risos sobre a sua capacidade de fazer versos.

Foi em uma praça, inclusive, que ele e seu irmão – que morreu em 2001 e foi substituído por seu sobrinho – receberam a alcunha. “O prefeito passou por nós e falou: um tem cara de caju, o outro cabeça de castanha”, revelou.

Completando incríveis 40 anos de carreira, Castanha ainda falou da chegada à São Paulo, há 22 anos: “ficamos hospedados debaixo do viaduto do Minhocão, naquela época era difícil, não sabíamos nada. Ficávamos na praça para cantar, às vezes voltávamos lisos. Na época era uma coisa que sofria de preconceito, mas batalhamos”.

A dupla ainda fez questão de diferenciar a sua embolada do tradicional repente: ”embolada é feita com pandeiro e o raciocínio tem que ser mais rápido, o repente é feito na viola. Existe uma técnica, por exemplo, quando uma palavra não tem rima, nós colocamos no meio da embolada”.

Curiosamente, os dois tocaram internacionalmente e, ao contrário do que se pode pensar, para grande público. “Estivemos na França, na Inglaterra, e lotou. É engraçado, que dá mais público europeu do que brasileiro. O nosso tipo de show atrai os gringos, eles vão para conhecer, é mais interessante para eles”.

Caju & Castanha vão ganhar história no cinema. “O roteiro será de Jorge Moura de “O Rebu” e “Amores Roubados”, direção de Walter Salles. Vamos usar imagens de nós pequenininhos cantando. Vocês vão se emocionar”, disse Caju.