Fake news também valorizam nosso trabalho, diz Roberto Cabrini

  • Por Jovem Pan
  • 12/11/2019 14h37
Jovem PanRoberto Cabrini foi o entrevistado desta terça (12) no Pânico

O jornalista Roberto Cabrini lança nesta terça-feira (12), às 19 horas, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo, o livro “No Rastro da Notícia – os bastidores das reportagens de um dos maiores jornalistas investigativos do Brasil”.

Para falar sobre o novo livro e as recentes mudanças na profissão, Cabrini participou de um bate-papo com a bancada do Pânico e disse porque acredita na longevidade do jornalismo.

“Mesmo numa época em que máquinas escrevem textos sempre haverá a necessidade do contador de grandes histórias, o que o jornalista precisa é se reformular. As fake news, sem dúvida, são uma grande deformação, mas isso também valoriza o nosso trabalho”, disse.

Cabrini explicou que a transformação na dinâmica entre produtor e consumidor de notícias faz as empresas valorizarem os profissionais de comunicação e até mudar suas prioridades editoriais.

“Há a valorização da comunicação e até certo detrimento do entretenimento, que está diminuindo porque as pessoas estão sedentas por informação.”

Mas para dar uma informação de qualidade, é necessário que o jornalista se atente às regras e ao rigor da apuração. Um dos primeiros passos para isso é a entrevista com a fonte. Especialista no assunto, Cabrini revelou algumas de suas técnicas na hora de realizar uma grande entrevista.

“Apenas a fonte não legitima a informação, isso carece de outros dados, mas a fonte é o início de uma cobertura, só não pode ser também o final. A fonte precisa ser protegida até determinado ponto. Relação entre fonte e repórter é uma das coisas mais delicadas, pois sempre há expectativas. Eu apenas faço perguntas pertinentes e sem julgamentos.”