“Estamos carentes de uma arte verdadeira; cadê as grandes canções?”, questiona Eriberto Leão

  • Por Jovem Pan
  • 11/11/2016 14h17
Johnny Drum/ Jovem Pan

Eriberto Leão deu um tempo na TV para voltar a se dedicar aos palcos com o espetáculo musical “Jim”, sobre a arte de Jim Morrison, vocalista do The Doors. Em entrevista ao Pânico na Rádio nesta sexta-feira (11), o ator deu detalhes da peça e ainda comentou sobre a ausência de “singularidade” nas canções de hoje.

“Estamos carentes de uma arte verdadeira. Hoje pensam em fazer arte para ganhar dinheiro”, avaliou. “Não temos mais essa geração [da contracultura]. Todo mundo está preocupado só com seu umbigo, ninguém se preocupa com ninguém. Isso tem como mudar e começa com a arte, mas falta essa arte surgir”, falou.

Perguntado se o cenário musical de hoje teria espaço para a poesia do The Doors, Eriberto disse acreditar que sim, mas ponderou. “Se surgissem hoje iam fazer sucesso, porque são grandes canções, iriam conquistar uma legião de fãs, mas eles seriam atacados, chamados de ‘prepotentes’”, opinou ao questionar a arte musical atual: “cadê as grandes canções?”.

Em “Jim”, projeto sonhado pelo ator por quase 20 anos – desde que conheceu o The Doors aos 19 – Eriberto destacou a obra do compositor que sempre “quis ser reconhecido por sua poesia e não história pessoal”. O premiado musical conta com 12 canções do vocalista do The Doors.

Durante a entrevista, Eriberto contou que “Jim” é a primeira peça do que serão três espetáculos musicais envolvendo grandes nomes da contracultura.

“Jim” está em cartaz em São Paulo no Teatro Vivo, todas as sextas-feiras às 21h30, sábados às 21h e domingos às 18h. Os ingressos podem ser adquiridos online pelo site do ingressorapido.com.br.

Prêmio Nobel de Bob Dylan

Durante conversa no Pânico, Eriberto Leão comentou sobre o silêncio de Bob Dylan ao ser premiado com o Nobel de Literatura. Para o ator, “o silêncio diz mais do que qualquer palavra”.

“Ele sabe que o prêmio não é só dele, mas de todos os da contracultura. Todos levaram o prêmio”, comentou. “Acho que o Nobel do Dylan representa todo o movimento da contracultura e não só a música e a poesia musicada”, afirmou.

Bob Dylan demorou a se pronunciar sobre o Nobel de Literatura. O cantor comentou sobre o prêmio quase 15 dias depois do anúncio através de comunicado ao site da Academia