Frota reclama de país “viadinho” e desabafa: “pago caro até hoje pela vida que escolhi”

  • Por Jovem Pan
  • 16/05/2014 14h33
Jovem Pan

Ele já protagonizou filmes pornôs. Já fez trabalhos como stripper. Já posou nu para ensaios sensuais. Já atuou em novelas e minisséries de diferentes emissoras. Já participou de reality-shows. Já fez parte de um time de futebol americano. Já se envolveu em brigas com personalidades conhecidas da mídia. E muito mais. Por essas e outras, é difícil pensar em alguém no Brasil que seja mais polêmico que Alexandre Frota. Com o passar dos anos, porém, ele se acostumou a ser o centro das atenções e passou a ficar mais tranquilo em meio a enxurradas de críticas e julgamentos. Hoje, sem ressentimentos, assume que, por conta de suas escolhas, sua vida não poderia ser diferente. 

“Pago um preço muito caro até hoje pelo tipo de vida que escolhi. Mas não posso reclamar disso. Tive grandes desentendimentos com pessoas que prejudicaram minha carreira, como o Wolf Maia e o Daniel Filho, mas a culpa foi minha também. Nos anos 80, não éramos preparados para fazer sucesso. Todo mundo que veio de lá é problemático. O Mauricio Matar, o Felipe Camargo, a turma toda. Hoje, para falar com um ator, você precisa passar por secretário, assessor, advogado, baba ovo… No meu tempo não! Fiz sucesso da noite para o dia, era difícil administrar isso sozinho. Eu não entendia o que estava acontecendo. E era uma época glamorosa na televisão. Em determinado momento me senti ‘o cara’, isso gerou uma série de problemas”, contou. 

Frota começou sua carreira como ator na TV Globo no início dos anos 1980, onde participou de produções famosas como Roque Santeiro, Sassaricando e Top Model. Em pouco tempo, viu sua imagem mudar radicalmente: de possível galã global, passou a ser visto como “badboy”. Grande parte disso, segundo ele, aconteceu por que nunca se deu ao trabalho de guardar suas opiniões. Alexandre Frota desabafa: “pago caro até hoje pela vida que escolhi”

“Essa transformação veio naturalmente com minhas atitudes, minhas irreverências, minhas declarações polêmicas. Eu tenho vários defeitos, mas não fico em cima do muro nunca. Ou você me ama ou você me odeia. Tenho uma opinião forte que incomoda e magoa as pessoas às vezes. Paga-se caro por falar a verdade no Brasil”, disse. “Esse país é muito hipócrita, ‘viadinho’ demais. Não no sentido de homossexual, mas de um monte de coisa. Hoje se você chama uma mulher de ‘gostosa’ é assédio. Se chama o amigo de ‘negão’ é racista. Quando você fala ‘anota meu telefone, recebe um ‘é Tim, Vivo ou Oi?’ de resposta. Se chama o juiz de ‘filho da p…’ no estádio, não pode mais entrar. É um monte de merdinha. O país está se modernizando, tudo bem, mas é muito chato. Não pode mais ter um Renato Gaúcho ou um Romário em campo, agora tem que ser igual ao Kaká”, completou. 

Antes de se casar com a atual esposa, Fabiana Rodrigues, Frota tinha uma das maiores famas de “pegador” do país. Claudia Raia, Lubia Oliver, Andréa Oliveira, Samantha Lima Gondim e Rita Cadilac são apenas algumas das mulheres de sua lista. Ele foi questionado pela bancada, então, a pontuar possíveis “sucessores” e deu dois nomes. 

“Não vão chegar lá nunca, mas tem alguns pegadores por aí. O Cauã Reymond pega bem. O Caio Castro também”, disse.   

Por fim, o convidado, que integrou um dos elencos mais controversos do programa Casa dos Artistas, do SBT, deu suas opiniões sobre o atual cenário dos realities na televisão brasileira. Para ele, o formato precisa ser reinventado para que o público volte a acompanhá-los como antes. 

“Acho que a tendência de perder força é pela mesmice da escalação dos elencos. No caso do Big Brother Brasil, todo mundo é igual, não tem nenhuma novidade, nenhum conteúdo. O programa precisa do Boninho dando um sacode e mudando regras o tempo inteiro. Ele é considerado um dos melhores BBB do mundo, mas já deu por isso. Virou uma coisa morna, as pessoas perderam o interesse. Mas ele vai ficar na programação por ser um campeão publicitário. Sempre tem todas as cotas vendidas, filas de merchan. E hoje em dia o departamento comercial de uma emissora tem voz mais ativa que o departamento artístico. A Fazenda é outro sucesso de publicidade, por isso também vai ficar. No caso dela, acho que peca por ter determinados artistas que pensam não no reality, mas no que vão fazer quando sair dali. Todo mundo quer ter programa, um quadro, fazer uma novela. Se pegarmos o elenco de todas as edições, 95% sumiu. É um momento complicado para os realities. Eles não acabaram, mas têm que se reinventar”, afirmou.

Durante a conversa, ele ainda comentou como anda sua relação com a TV Globo e falou sobre seus atuais trabalhos na televisão e no teatro. Confira a íntegra no áudio.