"A Globo tem um papel importante que não cumpre bem", analisa Mauricio Stycer

  • Por Jovem Pan
  • 07/06/2016 13h59
Jovem Pan<p>Mauricio Stycer é um dos principais críticos da TV</p>

Crítico e repórter especializado em televisão, Mauricio Stycer, esteve no Pânico desta terça-feira (07), analisando os novos formatos de entretenimento.

“Adeus, Controle Remoto” é o novo livro do jornalista: “existem duas televisões: o aparelho e o conteúdo. O que está mudando é o aparelho, perdendo a função que a gente conhecia. O ato de zapear está em queda”.

Essa decadência está diretamente ligada a outras formas de se assistir à televisão. Segundo ele, o streaming e a internet são movimentos geracionais, não é todo mundo que consome esse tipo de programação. Veículos como Netflix e Now estão em ascensão, mas nem todas as faixas etárias se acostumaram com esse tipo de processo.

“A TV aberta é feita para um público que está acostumado e está envelhecendo”, disse.

Os dois veículos têm como carro chefe os seriados. Mauricio acredita que no Brasil, “falta um pouco a cultura de série. A Globo tem um papel importante que não está cumprindo bem. Tem boas sérias e de qualidade, mas são todas de uma temporada só. A emissora não está interessada em cativar o público para esse formato”.

Para o crítico, as séries norte-americanas que migraram para a televisão aberta, como “Breaking Bad” e “Homeland”, acertaram na elaboração de roteiro e em trabalhar o telespectador de uma outra maneira. “E isso está influenciando as novelas. Os autores estão percebendo que os folhetins enrolam”.

Televisão como conhecemos

Mauricio Stycer enxerga a televisão aberta, não como algo que vai acabar, mas como um conteúdo que será diminuído. Para o jornalista, “a programação ao vivo, com o esporte, é algo valioso. Além de programas de competição”. Por outro lado, “o jornalismo eu tenho dúvidas se ainda vai valer a pena”.

Aliás, as competições em formato de reality show, como é o caso de “Masterchef”, da Band, “têm um fascínio mundial. Atingiu a veia das pessoas e tem um lado sedutor e perverso. É o prazer de você estar sentado, em casa, julgando as pessoas”, ironizou.