Há semelhanças entre esquerda e direita? Carina Vitral e Arthur do Val respondem

  • Por Jovem Pan
  • 17/04/2018 14h44
Johnny Drum/Jovem PanAmbos são pré-candidatos a deputado estadual por São Paulo

Emílio apresentou os convidados do Pânico nesta terça-feira (17) dizendo que se tratavam de duas jovens lideranças políticas que, seja para uma vertente seja para outra, podem ser consideradas símbolos de uma renovação. De um lado, Carina Vitral, ex-presidente da UNE e pré-candidata a deputada estadual pelo PCdoB. De outro, Arthur do Val, youtuber do Mamãe Falei ligado ao MBL e pré-candidato a deputado estadual pelo DEM. Durante o programa, os apresentadores mediaram um debate que propôs diferenciar – e, se possível, encontrar pontos em comum – entre as propostas deles, representantes da esquerda e da direita, respectivamente.

O líder da bancada simplificou a discussão com uma metáfora. Em uma sociedade socialista, segundo ele, os museus seriam de graça. Em uma capitalista, seriam pagos. E a partir daí Carina começou seu discurso com alguns questionamentos.

“Primeiro que, em uma sociedade liberal como ele defende, não existira museu. A iniciativa privada é movida pelo lucro, e poucas coisas dão lucro. Combater a desigualdade não dá. Fazer museu não dá. Por isso algumas coisas são bancadas pela iniciativa privada e várias outras não são. Precisamos do Estado para bancar essas. As empresas estatais precisam promover o que iniciativa privada sozinha não consegue. A segunda coisa é em relação aos serviços publicos. Meu projeto é de desenvolvimento. Não quero um Estado inchado. Mas acho que ele é necessário para promover emprego, renda e crescimento. Também através de empresas, sim! Também com um pacto com a inicitiva privada. Assim o país não vai só crescer sem se preocupar com o recurso, se ele está ou não chegando na sociedade. A diferença entre nós é esse olhar sobre o papel do Estado no combate às desigualdades”, explicou.

Em seguida foi a vez de Arthur. “A imagem que se vende da esquerda é essa de saúde de graça, educação de graça, museu de graça. Não existe almoço grátis. Todo dinheiro que você acha que o Estado te dá vem de pagadores de impostos. Você já pagou muito caro por ele e paga pela corrupção também. Agora, o capitalismo faz muito bem para os pobres. Em todos os países de mercado aberto, eles saem da pobreza com mais rapidez. Nos com fronteiras fechadas, mantêm-se na pobreza e os governantes ficam mais ricos”, rebateu.

Carina se tornou conhecida nacionalmente ao, após anos de atuação no movimento estudantil, virar presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) entre 2015 e 2017. Na eleição de 2016, saiu ainda como candidata à prefeitura pelo PCdoB em sua cidade-natal, Santos, no litoral paulista. Com 14 mil votos, conquistou a segunda colocação na disputa, perdendo para o então prefeito Paulo Barbosa (PSDB), que conseguiu se reeleger.

“Essa eleição foi importante. Eleição não é só vitória, mas todo um processo. Tive um crescimento pessoal e eleitoral para me preparar para ser uma liderança futura”, disse. “Na época dialoguei com várias correntes e achei que o PCdoB tinha um ideal mais forte para combater o sistema capitalista e, mais ainda, um caminho para isso. O partido tem um projeto de desenvolvimento para chegar ao socialismo. Achei concreta essa proposta de mundo e de Brasil”.

Arthur, por sua vez, nunca esteve ligado a movimentos sociais. “Eu vim da iniciativa privada. Odiava política. Vi uma série de dificuldades que o Estado cria para quem quer empreender, mas também encontrei pessoas boas. Quando você começa a aprender, a amadurecer o debate, percebe que não é todo mundo safado, mas que a estrutura está errada. Então como mudar? Aí começa a se interessar pelo que é a política. Infelizmente o brasileiro acha que política não presta e acaba não se interessando”, afirmou. “Criei meu canal em 2015. Em 2016, fui para as ruas e conheci o pessoal do MBL. Não fiz parte das marchas deles, mas sempre me identifiquei e acabamos criando uma amizade”, completou.

“Vocês me perguntam se não é muito idealismo da minha parte. Sim. Eu, como idealista, acredito na militância, acredito que as pessoas podem fazer diferença. Acho que vale a pena ter esperança. Acontece que tiramos a Dilma e tudo continuou como estava. É minha opinião. As pessoas acharam que após o impeachment as coisas melhorariam economicamente, mas piorou. É mais uma decepção para elas”, pontuou Carina.

Arthur não concorda. De acordo com ele, a situação política e econômica do país está, sim, passando por períodos de melhorias. “Ninguém acharia que, com o impeachment, da noite para o dia o mundo ficaria cor-de-rosa. O MBL sempre falou que o impeachment era o começo”.

E será então que a aproximação de ideias é impossível? Segundo os convidados, em muitos aspectos, talvez seja. Mas isso não é necessariamente ruim, já que todos são defensores da democracia. “Existem aqui dois movimentos antagônicos. Isso é normal. Não estamos procurando um ‘bem comum’ por que nossas visões de mundo são distintas”, explicou ela. “Não é questão de ser ‘binário’. Mas podemos nos dividir entre esquerda e direita, sim. Eu sou a favor do indivíduo forte e das instituições fortes, não do governo forte. Ela é o contrário. Tudo bem”, concluiu ele.