Lançando biografia, Marcelo Nova critica obras de roqueiros: “tolice completa”
Marcelo Nova é um dos grandes nomes da história do rock brasileiro e em parceria com o jornalista André Barcinski, lançou a biografia “Marcelo Nova – O Galope do Tempo”, que conta as histórias de sua vida, recheada de suas percepções ácidas e irônicas. Convidado do “Pânico” desta quinta-feira (15), o cantor deixou sua crítica a exatamente biografias sobre roqueiros.
O músico aponta que grande parte das histórias presentes em livros do gênero são verdadeiras tolices para deixar adolescentes impressionados e que não passam a realidade de suas vidas.
“A maioria (biografias de roqueiros) é uma tolice completa. É para adolescentes que ficam impressionados com quem quebra televisão em hotel, quem pega tiete e vai comer nos bastidores. É uma tolice completa. Eu li uma vez um texto de Paulo Francis sobre a biografia de Audrey Hepburn. Ele disse que ela era uma lady e um primor de elegância. Eu virei para o Barcinski e pedi para ele ser meu Paulo Francis para poder ser a Audrey Hepburn dele”, disse.
O título do livro é o mesmo de seu icônico disco “O Galope do Tempo”, no qual ele levou 13 anos para concluí-lo. O nome surgiu de uma história que envolve o seu filho Drake Nova. O cantor foi acompanhar o ultrassom para descobrir o sexo da criança e viu apenas uma luz brilhando no escuro, indicando o coração. A partir daí uma sucessão de eventos criou a concepção do projeto, fazendo Nova refletir sobre a passagem do tempo em sua vida.
Sincero e direto, o baiano de 66 anos afirma que só aceitou escrever a biografia por insistência de Barcinski, ressaltando que não acha a sua vida um grande exemplo a ser seguido.
“O disco virou um marco na minha carreira, os fãs adoram. Tem uma relevância enorme na minha trajetória e pensei que era um bom nome para ilustrar o livro. O André Barcinski que fez o livro comigo insistia nessa ideia da biografia e decidi fazer isso conversando. Não tinha a tenacidade de ficar sete anos escrevendo sobre mim. Não acho a minha vida tudo isso”, complementa.
“Raul Seixas não era um artista comum”
Marcelo Nova teve uma grande importância na vida de Raul Seixas. Grande amigo do lendário músico, o líder do Camisa de Vênus destacou que Seixas não era um artista comum e foi a pedra fundamental do rock nacional.
“Se alguém trabalhava bem essa linguagem de ironia e sarcasmo nas músicas era o Raul. Ele tinha um estilo muito próprio. As pessoas não o deixaram, ele também se deixou”, comentou.
Nova e outras pessoas ajudaram o icônico roqueiro a se reerguer na carreira, após ele se afundar por conta das drogas e alcoolismo.
“Ele era um homem muito inteligente e culto, ele sabia por onde estava caminhando. Eu e mais 17 pessoas achamos que ele estava num patamar muito abaixo do que poderia estar. Fizemos para ele ter um retorno digno pelo nome dele”, relembrou.
[print_gllr id=686750]
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.