Luiza Brunet: ‘Não é fácil apanhar de um homem numa fase adulta’

Em entrevista ao Pânico, Luiza Brunet e a promotora Gabriela Manssur falaram sobre violência contra a mulher

  • Por Jovem Pan
  • 10/12/2019 14h11
Jovem PanLuiza Brunet participou do Pânico nesta terça-feira (10)

A atriz Luiza Brunet afirmou, em entrevista ao Pânico, nesta terça-feira (10), que não se arrepende de ter exposto a vida pessoal quando denunciou seu ex-companheiro, Lírio Parisotto, por agressão. “Expus, com medo e vergonha, mas fiz meu papel como cidadã”, disse.

O caso aconteceu em 2016, em Nova York. Parisotto agrediu Luiza Brunet com socos e tapas e fraturou quatro costelas da modelo. Ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em fevereiro deste ano. “Fui vítima de violência doméstica aos 54 anos. Não é fácil apanhar de um homem numa fase adulta, num relacionamento sério”, desabafou.

Agora, Brunet luta para apoiar mulheres vítimas de violência doméstica. Uma de suas aliadas é a promotora Gabriela Manssur, que trabalha com casos de violência contra a mulher e é uma das referências da área.

Também no Pânico, Manssur explicou que não há um perfil do homem agressor. “O homem que comete qualquer tipo de violência contra a mulher comete um crime, o perfil atinge qualquer tipo de pessoa. Os homens denunciados vêm de todos os lados da sociedade”, disse. “O perfil é o homem que acha que pode fazer qualquer coisa com a mulher porque ela não é titular de direitos.”

A promotora reconheceu que há uma descrença do brasileiro na Justiça e ressaltou que o Estado não é o único responsável por evitar os crimes contra a mulher, mas também apontou que muitas mulheres não denunciam a violência por medo. “Ela não quer que o marido vá preso, não quer afastar o pai dos filhos, não quer se sentir culpada por isso. O brasileiro precisa mudar esse pensamento”, afirmou.

Gabriela Manssur também defendeu que a violência contra a mulher é um problema de toda a sociedade, não só das mulheres. “A sociedade deixa a bomba na mão do movimento feminista. Isso é errado, não deve acontecer”, disse a promotora.