“Lula projetou o Brasil, mas não por nada que ele tenha feito”, diz Guilherme Fiuza

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2016 14h11
Johnny Drum/ Jovem Pan

Autor de “Meu Nome Não é Johnny”, o escritor e jornalista Guilherme Fiuza está lançando seu primeiro livro de ficção, “O Império do Oprimido” que, longe de ser uma mera coincidência, trata do truque das forças políticas e ideologias que dividem um país. Em conversa com o Pânico na Rádio nesta quinta-feira (10), ele falou do novo livro – que já está em adaptação para o cinema e TV – e analisou o cenário do Brasil.

Comentando sobre a política brasileira, Fiuza acredita que o ex-presidente Lula não soube encontrar seu limite e, por isso, acabou se traindo. “Lula projetou o Brasil, mas não por nada que ele tenha feito”, falou. “Ele pensou pequeno, pensou ‘o Brasil me ama, o mundo me ama, o Obama acha que eu sou o cara’ e isso pira qualquer um. Ele foi fraco”, opinou ao afirmar que tem simpatia por ele.

Sobre o atual cenário brasileiro, que envolve rótulos de “coxinha” ou “reaça”, Fiuza afirmou que considera esse debate “infantilizado”. “É simples colocar um crachá de ‘mau’ no Trump e de ‘bem’ na Hillary, por exemplo, mas é mais complexo que isso. Trump tem uma série de problemas de ideologias da direita, mas os democratas também tem seu lado danoso”, comentou ao falar das manobras usadas nos discursos de convencimento.

“Política é discurso e sedução”, falou ao fazer um paralelo com a temática de “O Império do Oprimido”. “Falo de um truque das forças políticas de pegar a bandeira dos fracos para transformar em instrumento de poder. Assumir uma bandeira para ganhar votos numa espécie de blindagem política e a opinião pública embarca nesses defensores de falsos ‘Robin Hoods’ que se apresentam como altruístas e convencem muita gente”, comentou.

Apesar de se envolver com tema político no novo livro, o jornalista contou que não gosta de escrever sobre o tema: “acho chato, escrevo mal humorado porque são dramas artificiais”. Em “O Império do Oprimido”, Fiuza conta uma história de ficção com um pano de fundo “supostamente de esquerda” e vibra por  conseguir trazer “elementos reais sem apontar o dedo em ninguém”.