Marina Silva compara eleitores de Bolsonaro aos de Hugo Chávez

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2020 13h52
ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDOMarina Silva participou do Pânico nesta terça-feira (19)

A ex-senadora Marina Silva (Rede) comparou, em entrevista ao Pânico nesta terça-feira (19), os eleitores do presidente Jair Bolsonaro aos de Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela.

Para Marina, tanto os eleitores fiéis de Bolsonaro quanto os do venezuelano, que depois elegeram Nicolás Maduro, fecham os olhos para os erros que os políticos cometem. “O Chávez tem um eleitorado cativo que, independente de ele estar destruindo a Venezuela, continua com uma idolatria em relação ao Maduro”, disse. “Aqui acontece a mesma coisa, mas no caso com o Bolsonaro.”

A ex-candidata à presidência da República explicou que esse fenômeno acontece na esquerda e na direita e é ruim para o país. “Pela esquerda ou direita, ter eleitores que acham que os fins justificam os meios não é bom para a democracia, para a liberdade de imprensa e para o funcionamento correto e autônomo dos poderes”, lamentou.

Em relação aos apoiadores de Bolsonaro, ela disse não entender como as pessoas relevam coisas que ela considera ruins no presidente. “Não consigo compreender como as pessoas não se importam quando veem o presidente da República dizer ‘e daí?’ para mais de 5 mil mortos [por Covid-19], participa de atos públicos com faixas em defesa da ditadura e da dissolução do Congresso Nacional”, afirmou. “Se você é um eleitor livre, não tem que dizer amém para tudo aquilo que teu representante está fazendo. Ele é eleito para representar, não substituir os representados”, continuou.

Meio Ambiente

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva também fez críticas ao atual chefe da pasta, Ricardo Salles. Para ela, Salles é antiambientalista. “A coisa mais irrelevante que ele fez foi ir para o Ministério do Meio Ambiente. É o primeiro ministro antiambientalista”, disse.

Segundo Marina, Salles “só cria problemas”. “Desmontou a governança ambiental e dá sinais o tempo todo de favorecimento aos que praticam grilagem, desmatamento ilegal e invadem terra de índio”, afirmou a ex-ministra.

Marina disse que, em sua gestão, entre 2003 e 2008, no governo Lula, ela conseguiu aliar economia e ecologia e fazer o agronegócio crescer enquanto desmatamento diminuía. “O maior desafio era ter uma política ambiental inteiramente republicana, que nem prejudicasse nem favorecesse”, explicou.