“Meu maior trabalho é pegar carona no sucesso dos outros”, diz Thiago Corrêa

  • Por Jovem Pan
  • 27/03/2014 14h03
Jovem Pan

Tente imaginar, em uma música só, a melodia de Viva La Vida, do Coldplay, com a letra de Lua Vai, do Katinguelê, e o refrão de Firework, de Katy Perry. Difícil, não é? Esse é apenas um dos exemplos do trabalho feito por Thiago Corrêa, artista brasileiro que tem se destacado nacional e internacionalmente por seus mashups (composições criadas a partir da mistura de duas ou mais canções pré-existentes). Em entrevista ao Pânico nesta quinta-feira (27), ele falou mais sobre seu processo criativo – que ele acredita ser, na verdade, o contrário do método tradicional.

“Meu maior trabalho é pegar carona no sucesso dos outros. Por um lado, é o contrário do processo criativo. Misturar pop com música brasileira ou outras coisas é como desconstruir o processo autoral”, explicou.

Ele não nega, no entanto, que esse seja um trabalho que exige pesquisa, concentração e sensibilidade. Até porque, além de unir diferentes faixas com a ajuda de aparelhos eletrônicos, ele também canta e toca alguns instrumentos em suas criações.  

“É um processo, sim. Componho muitas músicas. Acho sinceramente que fazer um mashup é mais complicado que apenas compor uma canção. Para fazê-lo, tenho que entender o processo de duas músicas diferentes”, disse. “Só não ganho direitos autorais porque é muito burocrático e ainda não fui atrás. Para isso, teria que pedir para a Rihanna, por exemplo, e, claro, chegar até ela seria muito trabalhoso”, completou.

Thiago explicou que o mashup teve um “boom” de popularidade em 2004. Naquele ano, um norte-americano fez uma mistura com Jay-Z e Beatles que rodou a web e ficou mundialmente conhecida – especialmente depois que a gravadora responsável pelos artistas exigiu a retirada do material do ar. Ao comentar o caso, ele afirmou que essa “barreira” imposta pela indústria fonográfica é uma das principais dificuldades que profissionais como ele têm que enfrentar.

“É complicado. Alguns cantores liberam faixas ‘a capella’, outros não. Aqui no Brasil a única que vi liberar foi a Rita Lee. Se liberassem mais, eu faria mais. Isso é legal até para o pessoal de fora ouvir nossa música. A língua é a única barreira. Quando eles ouvem a Beyoncé em ritmo de samba, prestam“Meu maior trabalho é pegar carona no sucesso dos outros”, diz Thiago Corrê atenção”, afirmou.

Em seu catálogo de criações estão, entre muitas outras, Jorge Ben com Rihanna, Stevie Wonder com Jota Quest, Adele com Gilberto Gil, Wando com Maroon 5 e Selena Gomez com Tribalistas. Todas podem ser ouvidas de graça em seu site oficial, onde também estão as datas de suas apresentações.

“Eu começo as pesquisas pensando na necessidade dos shows. Analiso o show e vejo onde precisa crescer, onde não precisa, e vou mudando. Eu tinha uma de O Rappa com Timbaland, por exemplo, que funcionava muito. Mas foi saindo, chegou uma hora em que ninguém mais se lembrava do Timbaland, aí fiz um arranjo novo. Deixei O Rappa e misturei com Christina Aguilera. É timing”, finalizou.

Ouça a íntegra no áudio.