Na era dos singles, Titãs aposta em ópera-rock nos moldes de The Who e Pink Floyd

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2018 14h04
Johnny Drum/Jovem PanGrupo visitou o programa e detalhou o projeto "Doze Flores Amarelas"

Se tem uma coisa que os Titãs gostam de fazer é inovar. Não é à toa que se tornaram uma das maiores bandas da história da música brasileira. E para quem acha que eles estavam em uma fase mais tranquila da vida, pode esquecer. O trio composto por Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto mais uma vez aposta na contramão do mercado e se prepara atualmente para investir em um dos projetos mais grandiosos de sua carreira: Doze Flores Amarelas, uma ópera-rock nos moldes de Tommy, do The Who, e The Wall, do Pink Floyd. Isso tudo na era dos singles, em que os discos parecem ganhar menos destaque.

“Acho que o panorama está tão viciado e burocrático que resolvemos inverter tudo. Apostamos na nossa criatividade e na vontade de fazer diferente. Com 36 anos de carreira acho que temos autoridade para tentar inventar”, brincou Bellotto em entrevista ao Pânico nesta sexta-feira (4).

O conceito de ópera-rock normalmente é utilizado para definir um álbum em que todas as canções são unidas por uma narrativa em comum. Ou seja, quando ouvidas na sequência, as faixas contam uma história completa com princípio, meio e fim. Além das já citadas, é o caso ainda de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars de David Bowie, por exemplo. Na ópera-rock dos Titãs, no entanto, eles vão um pouco (ou melhor, muito) mais além.

“Normalmente é uma história cantada por canções, falando da maneira mais simples possível. A gente amplificou. Vamos ter montagem, projeções, apresentação de outras cantoras, encenação, uma série de expressões”, explicou Britto. “Um dos diretores da apresentação veio do cinema. O Otávio Juliano. O outro, o Hugo Possolo, veio do Parlapatões, do teatro. E nós somos especialistas em show. Juntamos esses três lados e fizemos uma linguagem diferente”, completou Mello.

Como se não bastasse, o tema central escolhido para o projeto – que leva 25 composições inéditas – é outra aposta arriscada: a violência contra a mulher. Na trama, algumas meninas são abusadas sexualmente em uma festa por um grupo de homens e cada uma reage de uma maneira. São abordados aqui a depressão, a raiva, a exposição, as drogas, a tecnologia, o romance, a família e inúmeros outros aspectos dessa realidade.

“Temos que arriscar. Nossa banda sempre ousou. Nossa marca é sair do que está sendo feito por aí. Sempre quisemos tratar de temas que as pessoas preferem evitar. E fazer uma boa canção sobre esse temas é dificil. O desafio acabou estimulando a gente como compositores. Discutimos muito os assuntos, conversamos muito com muita gente. As meninas que cantam com a gente (Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck) trouxeram a visão delas. Tudo foi muito pensado (…). O problema do abuso de mulheres é dos homens também. A sociedade tem que pensar junto a cultura do machismo”, afirmou Bellotto.

No dia 12 de maio, a banda gravará, com Mario Fabre na bateria e Beto Lee na guitarra, o DVD de Doze Flores Amarelas no Teatro Opus, no Shopping VillaLobos, em São Paulo. Ingressos podem ser adquiridos pelo site do estabelecimento. Em seguida, iniciam uma turnê nacional. Enquanto isso, as faixas compostas para a peça, divididas e organizadas em três atos, podem ser ouvidas nas plataformas digitais.