“Nós, judeus, não podemos permitir algo assim”, diz rabino David Weitman sobre Charlottesville

  • Por Jovem Pan
  • 23/08/2017 14h25
Johnny Drum/ Jovem Pan

Convidado do Pânico na Rádio nesta quarta-feira (23), o rabino David Weitman relembrou a violência que tomou conta da cidade de Charlottesville, nos Estados Unidos, no último dia 13. Ao condenar a ode ao Nazismo por parte de grupos que se manifestaram, ele alertou para a necessidade de conter essas minorias.

“Não dá para acreditar que mesmo 70 anos após o holocausto ainda tenha gente louvando o Nazismo. É inacreditável. São pessoas que acumulam e alimentam o ódio. É surpreendente que isso aconteça, mas é uma realidade. Nós, judeus, não podemos permitir uma coisa assim”, declarou.

O rabino instruiu que o combate ao ódio deve se dar pela “educação junto com a fé”. “As pessoas podem nascer com tendência à violência, mas o homem tem livre arbítrio para se disciplinar. Ninguém nasce um assassino”, falou.

“É uma minoria, mas temos que ficar alertas. A educação começa em casa e digo a educação junto com a fé. Se alguém se apoia somente no seu intelecto é perigoso. Precisa de formação e fé no seu superior”, explicou.

Citando a crença judaica, David Weitman falou sobre a chegada de um Messias, que irá pôr fim a tais conflitos, injustiças e terrorismo. “Vai vir uma época de paz e harmonia entre o povo. Não haverá mais competição e ódio”, declarou.

Ao relembrar o Holocausto, o rabino explicou a forma como os judeus conseguiram seguir em frente após toda a violência. A lição é um ensinamento para todos os povos.

“Nós não nos concentramos no passado. A gente não esquece, claro, mas olhamos para a frente, como otimistas e positivos. Sabemos que temos uma missão na terra, então continuamos”, declarou.

Reformas religiosas

Durante a conversa, o rabino David Weitman condenou as reformas que algumas religiões têm proposto e adotado. Para ele, a lei divina não deve receber intervenções.

“Se acreditamos que a religião é uma mensagem divina eu não posso, como ser humano, mudar e ajudar para fazer uma ‘coisa bacana’. Acredito que Deus sabe dar uma mensagem que seja válida para todas as nações e em todas as épocas”, declarou.

“Se eu tenho que reformar, então a mensagem Dele não é perfeita e, assim, eu não quero acreditar. A mensagem perfeita não precisa de reforma”, reforçou.