Novembro Azul: Especialista explica como falta de acesso e machismo aumentam chances de câncer

Em entrevista ao Pânico, o Dr. Fernando Maluf falou sobre o Novembro Azul e o combate ao câncer de próstata

  • Por Jovem Pan
  • 14/11/2019 13h53
Jovem PanO oncologista Fernando Maluf foi o convidado do Pânico nesta quinta-feira (14)

Pânico recebeu nesta quinta-feira (14) o oncologista Fernando Maluf, um dos fundadores do instituto Vencer o Câncer, para tirar dúvidas sobre o câncer de próstata e o Novembro Azul, campanha de prevenção à doença.

O médico explicou como a falta de acesso é um dos principais vilões dos pacientes diagnosticados com câncer. “A chance de alguém ligado ao SUS ter um diagnóstico precoce é duas ou três vezes menor do que alguém que tem acesso a um plano de saúde”, lamentou. Isso acontece porque as pessoas que dependem da saúde pública não têm acesso a equipamentos de última geração e até a consultas rápidas.

Para Maluf, o câncer é também uma doença social, uma vez que as pessoas das classes socioeconômicas mais baixas já chegam ao médico com a doença avançada. “Ele chega atrasado e tem menos armas para brigar contra o câncer”, disse. “Quanto mais caro são os tratamentos, mais as mazelas de um sistema que não funciona adequadamente bem se abrem.”

Machismo

No caso do câncer de próstata, o Dr. Fernando Maluf destacou que o machismo também é um dos vilões. “Há um pensamento machista de que o homem é blindado a problemas, que não pode deixar de trabalhar para fazer um exame”, disse. “Tem um componente cultural muito importante”, continuou o médico.

Maluf ressaltou que as mulheres têm um senso de autocuidado maior que os homens. “O governo vai ter que trabalhar a questão da saúde masculina”, afirmou.

Para Fernando Maluf, o toque retal, um dos exames que ajuda a detectar o câncer de próstata, é importante não só para diagnosticar a doença. “O homem não está indo para o médico para fazer só o toque retal. O médico vai olhar como um todo aquela pessoa”, explicou.