"O tigre é o último da lista que tem culpa", diz biólogo sobre ataque em zoológico

  • Por Jovem Pan
  • 07/08/2014 14h23
Jovem Pan

Richard Rasmussen é o famoso biólogo e apresentador de TV conhecido pelo quadro “Selvagem ao Extremo”. O programa foi exibido na TV Record, dentro do “Domingo Espetacular”. Depois Richard foi para o SBT, onde estrelou um programa de uma hora chamado “Aventura Selvagem”. Recentemente, o biólogo saiu da emissora de Silvio Santos e agora está na FOX, com “Mundo Selvagem”.

Em entrevista ao programa Pânico, Rasmussen defendeu o tigre no caso recente em que o animal mordeu e desfigurou o braço de uma criança em um zoológico do Paraná resultando no amputamento do membro. “O tigre faz exatamente isso, é um animal selvagem. Sinto muito pelo acidente, mas era previsível. O tigre é o último da lista que tem culpa.”

O biólogo está lançando o livro “A Amazônia Selvagem de Richard Rasmussen”, em que revela muitos detalhes que não consegue exibir na TV e cita o exemplo de uma experiência corajosa que teve com um morcego. “Em uma viagem, um amigo da minha equipe viu um morcego hematófago se aproximando e chupando meu sangue enquanto estávamos dormindo. Mas era a minha intenção. Eu furei meu pé para o morcego se sentir estimulado. Aí ele deu uma mordida, começou a mamar e morcegos não param mais até ficarem satisfeitos. Mas não tem perigo. Eu me preparei, fui ao instituto Pasteur para estudar esta possibilidade. O problema dos morcegos é a raiva. Nem todo morcego hematófago está com o vírus da raiva. Como ele se alimenta de vários animais, a chance dele transmitir a doença é maior.”

O que muitos não sabem é que Richard é formado em Economia pela Universidade de São Paulo. “Me formei em Economia antes, porque meu pai falava que se eu fizesse biologia eu ia ser pobre.” Só depois foi que Richard cursou biologia. Sua família tinha um criadouro de animais, o que o colocou desde cedo em contato com os animais. A oportunidade de migrar para a televisão apareceu quando conheceu um produtor da equipe do “Domingão do Faustão” em 2002. “Apareceu um produtor da equipe do Faustão na minha reserva para retirar animais para o programa e me chamou para gravar um piloto.”

No mundo animal, as pessoas normalmente associam perigo a animais como serpentes e leões. Mas Richard desmistifica essa impressão e revela que as vespas são os animais mais perigosos. “Existem animais mais preparados e instintivos, como crocodilos e tubarões. Mas o maior número com acidentes acontece com vespas e abelhas. Eu mesmo já tomei várias ferroadas. Não tem o que fazer a não ser correr e tentar ser picado o menos possível.”

Vale fazer um alerta para programas e biólogos enganosos que afirmam ser possível domesticar um animal selvagem. O que é possível, segundo Richard, é estabelecer uma compreensão. “O que é feito é observar como o bicho se comporta. Por exemplo, ele observa que o crocodilo fica um determinado tempo com a boca aberta, aí ele cria uma percepção e aos poucos testa o animal. O bicho é uma ferramenta para se observar sim, mas não é para fazer show com sua imagem.”

A polêmica em torno da construção da Usina de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu, no Norte brasileiro, não ficou de fora da pauta, levando em consideração a visibilidade do apresentador. O projeto é tratado como um dos maiores do Governo Federal e tem sido alvo de constantes debates há duas décadas. De um lado, a geração de energia e riquezas para o país, de outro, a destruição dos ecossistemas da região.  Richard se vê contra a construção do complexo hidrelétrico justamente por não considerar este um projeto tão limpo como clamam. “A energia hidrelétrica é uma alternativa viável pela quantidade de rios brasileiros. Ela é limpa no resultado, mas é suja nas consequências. Eu sou a favor do progresso, mas se eu tivesse a varinha mágica trabalharia em outros rumos para a energia.”

A mesma discussão ocorreu sobre a usina de Itaipu na década de 1980. O famoso biólogo usou este exemplo para afirmar que, desde aquela época, novos estudos e alternativas poderiam ter sido estudados para instalar fontes de energia menos destrutivos.

O apresentador, que está prestes a viajar por quatro meses pela África, também se posiciona contra a moda de criar animais de estimação como se fossem humanos, colocando roupas e acessórios e até realizando festas de aniversário para os bichinhos. “Existem pessoas que exageram e têm desvios, são alucinadas com animais. Eu, pelo menos, não coloco roupinha nos meus cachorros.”