Prestes a ir à Rússia como comentarista, Muricy comemora: "tem um mundo bom fora do futebol"

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2018 14h25
Johnny Drum/Jovem PanComentarista esteve na bancada do Pânico nesta segunda (9)

Nos últimos dias, circularam em alguns veículos de imprensa notícias sobre um suposto retorno de Muricy Ramalho ao futebol. Isso aconteceria após a Copa do Mundo na Rússia, quando chega ao fim seu contrato de comentarista com a SporTV. Em entrevista ao Pânico na Rádio nesta segunda-feira (9), no entanto, o ex-técnico negou que haja qualquer tipo de negociação nesse sentido e garantiu que não pretende ser treinador novamente. O que ele cogita, dentro de algumas condições, é futuramente ocupar algum cargo de coordenação.

“Estou gostando de ser comentarista, fiz a Copa das Confederações, agora vou para a Rússia. É muito mais tranquilo. Não perco jogo, é fácil pra caramba. Se você erra, ninguém fala nada (risos). Mas tenho o pensamento mais para frente de voltar para o futebol. Não como técnico. Na coordenação técnica. Fazer um meio de campo entre a diretoria e o treinador. Mas só se tiver um projeto legal. Se for para ser um coordenador como muitos aí que não tem autonomia, não quero. Se for assim, fico na SporTV”, disse.

O motivo principal pelo qual ele rejeita a ideia de atuar mais uma vez como treinador é a sua família. Desde 1993, quando deu início à sua carreira na beira dos gramados ao comandar o Puebla, no México, perdeu momentos familiares importantes, fato o que o chateia ainda hoje. Ao se afastar e entrar para a televisão, notou que “existe um mundo muito bom” fora do esporte.

“Enchi o saco de ser treinador. O que mais pega é a familia. Eu não criei meus filhos. Fiquei longe. Minha mulher Rosa é fora de série. Aguentou porrada. Conheci minha filha com 3 meses. Eu morava no México. Ela queria ter a filha aqui. Não vi meu pai ser enterrado. Minha mãe teve um AVC e eu não estava aqui. Nas fotos da família eu nunca estou. Sou um estranho. Eu chegava em casa às vezes e o cachorro latia. Não me conhecia. Não vivi com minha família. Não tive fim de semana. Hoje vou para o sítio, vou para a praia. Nunca fiz isso. Tem um mundo fora de futebol muito bom. Demais. O futebol é uma bolha que você entra e não consegue sair mais. É um vício. Agora vejo que existe uma coisa boa fora”, afirmou.

“Nunca vi jogador mais profissional que o Neymar”

Ao comentar as dificuldades enfrentadas pelos treinadores no cotidiano da profissão, o convidado citou ainda a falta de educação e profissionalismo de alguns jogadores. De acordo com ele, basta subir um pouco na carreira para alguns começarem a “se achar”. “Não posso ficar falando de jogador mala, mas olha que tem! O cara não quer treinar mais, reclama que o bife está mal passado. O craque de verdade não tá nem aí. É que nem o Neymar ou o Kaká”, declarou.

A bancada, aproveitando o gancho, questionou-o então sobre a recente discussão envolvendo o atacante do PSG e o comentarista Walter Casagrande. Como sempre, não fugiu do debate.

“O Casão tem razão em algumas coisas. Trabalhei com o Neymar no Santos, estive com ele no Barcelona para estudar. Conheço bem. No Mundial não dá para tomar cartão como ele toma. Nisso ele tem razão. Se eu encontra o Neymar, falo para ele. Mas em outras coisas não estou de acordo. Nunca vi um jogador tão profissional como ele. Ele tem aquela aparência, é um garoto rico. As pessoas falam. Mas trabalhou muito para ter essa grana. E p****, vai acabar o jogo e ir para casa? Deixa ele ir tomar uma cervejinha ou pegar a mulherada. No dia seguinte ele vai estar no treino de manhã cedinho”, disse.  

E o Rogério Ceni?

Neste domingo (8), o Ceará se consagrou campeão cearense ao derrotar o rival Fortaleza, time comandado por Rogério Ceni. E para Muricy Ramalho, o colega terá que se acostumar com a pressão se quiser continuar na carreira de treinador.

“Faz muito tempo que não encontro ele. Nem quando era técnico do São Paulo encontrei. Acho que ele não escolheu bem o caminho para ser técnico. De futebol ele entende. Só que o cara tem que ter a vivência. Ele vai ter que segurar onda, falar ‘não’ para muita gente. Tem que ter uma história. Ele não tem história como treinador, só como jogador. Ele quis ir direto. Pulou etapas. Foi para um time profissional, teve uma derrota dura, vai ter cobrança. No futebol não importa o tamanho do time, sempre tem pressão. Ele fez curso, beleza, faz parte, é obrigação. Mas deveria ter passado por mais fases. Começado mais na base. Podia achar um bom técnico para ser assistente. Eu aprendi assim. Faltou nele isso. Não escolheu o momento certo. Mas vai ser um grande treinador. É disciplinado, sabe o que está fazendo”, concluiu.

Junto ao trabalho nas telinhas, Muricy pode ser visto também sobre os palcos com Aqui É Trabalho e Muita Resenha. Em uma espécie de palestra, o ex-técnico relembra histórias de sua carreira ao lado do ex-jogador Denilson. Eles se apresentam no próximo sábado (14) no Teatro Opus, em São Paulo, e devem rodar também por outras cidades durante o ano. Mais informações aqui