"Quem não tem proposta vai ser desmascarado", diz Manuela D’Ávila sobre Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2018 14h27
Johnny Drum/Jovem PanPré-candidata pelo PCdoB esteve no programa nesta segunda-feira (5)

No final do ano passado, o PCdoB, partido que não tem grande tradição eleitoral, surpreendeu os eleitores e decidiu lançar candidatura própria para a presidência – o que não acontecia desde 1947. A escolhida foi Manuela D’Ávila. Por ter posições morais progressistas, a gaúcha tem sido colocada nesse início de processo como contraponto ao conservador Jair Bolsonaro. Mas, ao mesmo tempo em que reconhece a força populista do adversário, ela acredita que ele acabará perdendo votos com o passar do tempo.

“Temos que politizar a eleição. A eleição é um momento raro. Ela abre espaços e quem não tem proposta vai ser desmascarado”, disse em entrevista ao Pânico na Rádio nesta segunda-feira (5). “Estou louca para debater com o Bolsonaro. Quero discutir propostas. O brasileiro tem medo da instabilidade e da incerteza em relação ao futuro. Temos 13 milhões de desempregados, 5 milhões há mais de 1 ano, e metade deles tem até 29 anos. Isso gera insegurança. E ele transforma esse medo em ódio. Não é isso que resolve nossa crise, que é grave, política e econômica. Precisamos de um projeto. Não é fácil. Temos que debater a economia. Temos um povo diverso, precisamos encontrar um caminho juntos”.

Manuela nasceu em Porto Alegre em 1981. Ela é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e iniciou sua vida pública nos movimentos estudantis. Ocupou a direção nacional da União da Juventude Socialista (UJS) e a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em 2004, tornou-se a vereadora mais jovem da história da capital gaúcha. Em 2006, elegeu-se deputada federal e foi reeleita em 2010 para o mesmo cargo. Já em 2014, virou deputada estadual. Além disso, concorreu à prefeitura da cidade em 2008, quando ficou na terceira colocação, e em 2012, quando ficou em segundo. Tudo isso pelo PCdoB. Embora nunca tenha feito parte do PT, esteve em movimentos recentes contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que, segundo ela, não a faz ser necessariamente uma aliada do petista.

“Desde 1999 eu sou do PCdoB. É um partido menor, ninguém se filia a ele para ser eleito. E nós sempre tivemos críticas aos governos do PT, sobretudo na área da economia. Eles faziam uma política ‘ziguezague’. Em um momento eram comprometidos com o povo, depois cediam aos interesses dos bancos. O Henrique Meirelles que é ministro do Michel Temer já estava com eles. Mas na minha interpretação também houve muitas conquistas, principalmente em relação ao ciclo de desenvolvimento que o Lula conduziu. Combateu a miséria, criou o Prouni, garantiu aumento de vagas em universidades federais, colocou o desemprego quase no zero. E julgo que o juízo sobre ele é político então defendo o direito de ele concorrer neste ano. Quero ganhar dele nas urnas. Somos adversários lá. Quero debater por que ele não enfrentou a desigualdade entre homens e mulheres, por exemplo”, explicou.

Questionada sobre seus projetos, Manuela foi direta. Disse que defende que o Estado tenha um papel de condutor na retomada do crescimento da economia, mas que “pare de tutelar nossas vidas”. A declaração faz referência a suas posturas progressistas em relação a questões de cunho cultural como drogas, aborto e sexualidade. Esses e outros tópicos devem ser detalhados mais para a frente nos debates e na propaganda eleitoral – onde ela sai atrás de outros concorrentes, já que, por ser de um partido menor, possui menos tempo de televisão. Uma das apostas, então, será nas redes sociais. Com ou sem a presença dos “haters”.

“Recebo muita mensagem agressiva. Quando me ameaçam, vou na polícia e faço BO. Já tenho muitos anos convivendo com esse tipo de gente. Trato com seriedade. Agora recebi uma decisão que obrigou o Facebook a fornecer dados de pessoas que ameaçaram a mim e minha filha de 2 anos de idade com violência sexual e morte. Isso pode ir para a rua. Minha filha tomou um tapa quando tinha apenas dois meses. As pessoas têm que ser punidas”, relatou.