Para especialista, polarização em torno da Lava Jato é perigosa para a democracia

  • Por Jovem Pan
  • 07/03/2016 12h37
O juiz federal Sergio Moro participa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado de audiência pública sobre projeto que altera o Código de Processo Penal (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Juiz Federal Sergio Moro

 Especialistas avaliam que o Brasil vive um momento de radicalização política extrema e afirmam que a crise no país precisa de uma solução rápida. As revelações da delação de Delcídio Amaral e a condução coercitiva do ex-presidente Lula monopolizaram o noticiário. Enquanto o PT convocava sua militância às ruas, duas sedes do partido e o Instituto Lula foram alvos de pichações no sábado (05/03) e no domingo (06/03).

Para o cientista político da USP, José Álvaro Moysés, existe um risco real de confronto físico depois dos últimos acontecimentos: “A polarização que em certo sentido está se evidenciando agora, com o desenvolvimento e avanço da Operação Lava Jato, ela é claramente uma coisa perigosa para a democracia”. Moysés ressalta que tanto o governo quanto a oposição precisam deixar claro que a saída para a crise está dentro da Constituição.

O professor de ética e filosofia política da Unicamp, Roberto Romano, avalia que Dilma foi irresponsável ao criticar a Lava Jato e incitar a militância petista: “Quando a primeira magistrada do País, que deveria garantir a lei e sua legitimidade pela isenção, quando ela ataca da maneira que ela fez a ação do juiz Sérgio Moro e do Ministério Público, ela está incentivando a militância que vai para a rua para não cumprir a lei e atacar fisicamente os seus adversários”. Romano ainda vê como preocupante a convocação que o PT fez uma semana antes da manifestação contra o governo no dia 13 de março.

Em paralelo às ruas, a oposição na Câmara pretende acelerar a tramitação do impeachment obstruindo todas as votações da Casa.