Para senadora, mudança do prazo não afeta ampla defesa de Dilma Rousseff

  • Por Jovem Pan
  • 06/06/2016 08h58
Divulgação/Site Oficial"Ela foi muito corajosa", disse sobre a candidata da Rede

 O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, deve deliberar nesta segunda (06) sobre mudanças no rito de impeachment. Em entrevista a Jovem Pan, a senadora Ana Amélia (PP) defende o estabelecimento de um novo calendário, que agilizaria o julgamento sem cercear o direito de defesa de Dilma Rousseff: “Ao STF cabe decidir o que deliberamos na quarta-feira, a redução do prazo, se é viável de ser efetuado nos prazos constitucionais. (…) Deve se dar à denunciada todo e amplo direito de defesa. Para não comprometer a lisura desse julgamento. O novo calendário garante, até porque, praticamente, não tem nenhuma novidade, são três crimes cometidos pela presidente. (…) Não há com negar que a Dilma tenha amplo direito de defesa”.

A senadora cita que a defesa de Dilma Rousseff solicitou que fosse incluída no processo a delação de Sérgio Machado, que cita o ex-ministro Romero Jucá. Ela afirma que, nesse caso, deveria ser considerada também a delação de Marcelo Odebrecht: “A alteração no curso do processo pela defesa de Dilma mostra que há uma tentativa de tirar o foco e ir para o lado político, mais do que o técnico”.

Ao ser questionada se existia a possiblidade de muitos senadores mudarem seu voto ao longo do processo, Ana Amélia afirma que esta seja uma situação pouco provável: “Duvido. Eventualmente um ou dois senadores podem mudar o voto, mas não acredito que alguém vendeu seu voto em troca de um ministério, por exemplo. (…) Seguramente a decisão será coerente com o que eu foi votado na primeira fase”.

Ana Amélia diz que a pressão popular tem uma forte influência no processo, assim como a própria delação de Marcelo Odebrecht, independente de entrar no processo ou não: “Com essa delação do Odebrecht, agora se sabe sobre a venda de Pasadena, sobre o cabeleireiro que usava avião da FAB para ir à Brasília, agora está se vendo o que as pessoas diretas dela recebiam. São informações graves que vão influenciar no processo que estamos julgando agora”.

Ricardo Lewandowski trata diretamente com o presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB), e o relator, Antônio Anastasia (PSDB), sobre as dúvidas e requerimentos dos senadores sobre o processo.