Para Serra, Lula ministro e uso das reservas do BC são combinação explosiva

  • Por Jovem Pan
  • 11/03/2016 11h17
Moreira Mariz / Agência Senado José Serra

 O Senador José Serra (PSDB-SP), falou à Jovem Pan que o Brasil enfrenta sua pior crise econômica, um quadro ainda mais grave por conta da crise política e moral do governo: “Não tenho dúvida que é a maior crise que o Brasil já teve. E não é apenas uma crise só econômica. Em matéria econômica é a situação mais adversa que nós já tivemos. (…) Não há perspectiva de que haja uma reversão disso no curto prazo. Ela combina com a crise política, com a falta de credibilidade e de legitimidade por parte do governo federal e com a crise moral por tudo que está acontecendo”.

Serra acredita que a crise seria reversível se houvesse confiança no governo. Ela também crítica o fato do país viver uma profecia que se “auto realiza”: “A crise econômica teria saída. O quadro está complicado, mas tem certas condições que são favoráveis, por exemplo, a balança de pagamentos, as reservas do Brasil em dólar são elevadas hoje e não está tendo déficits com o exterior. Teríamos um ponto de partida para uma recuperação. Tem desemprego e tem capacidade ociosa de máquinas, mas estamos prisioneiros daquilo que se chama de profecia que se auto realiza, os agentes econômicas preveem que as coisas vão mal e as coisas vão mal por causa daquela crença. (…) A falta de confiança que o governo inspira é a pior coisa da crise econômica”.

O ex-governador de São Paulo não acredita que o governo tenha condições de conseguir dar a virada que o País necessita e defende que é necessário um posicionamento em relação ao impeachment: “Tem que se encontrar um caminho comum de entendimento, que envolva inclusive, como tem que ser um novo governo. Tem que dar sequência às coisas que estão esquematizadas. (…) É importante para todos que fosse votado o impeachment na Câmara dos Deputados. Mesmo para a presidente Dilma seria melhor isso, que seja votado. Se ela ganhar, não for impedida de governar pelos deputados, procura-se um caminho. Se for impedida, encontra-se outro caminho, mas que isso se resolva. O que não dá é para ficar prolongando no tempo, porque as coisas vão piorando e a única ação do governo passa a ser lutar contra o impeachment”. Serra afirma que se Dilma não sofrer o impeachment ela terá muitas dificuldades para governar.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de Lula assumir um ministério diante do pedido de prisão emitido pelo MP de São Paulo, Serra afirma que, se isso ocorrer junto ao uso das reservas do Banco Central, seria uma combinação explosiva para a economia: “O que tem se falado do Lula virar ministro da Dilma, eu espero que não se faça. Não sou do quanto pior melhor. Vai ser muito difícil para o governo, por muito motivos, mas não var dar certo porque não se delega governo. Isso seria explosivo, do ponto de vista político, o Lula no ministério, e do ponto de vista da economia seria pegar as reservas do Banco Central e gastar para financiar gastos governamentais, rombo. Botaria fogo na economia”.