“Perdendo espaço, o PT perde também muito poder de fogo”, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 11/01/2016 12h13
Brasília - Entrevista com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad sobre o encontro com o Ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (Wilson Dias/Agência Brasil)Fernando Haddad

 As eleições municipais que vão ocorrer em outubro deste ano devem avaliar o desgaste político do PT após escândalos de corrupção na Lava Jato e a crise econômica do governo Dilma Rousseff. Até outubro do ano passado, o Partido dos Trabalhadores havia perdido 69 dos 619 prefeitos que elegera em 2012. A maior debandada foi registrada no estado de São Paulo, onde pelo menos 20 dos 73 prefeitos vitoriosos há quatro anos já deixaram o PT.

Após a reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sequência do mensalão, a cúpula petista garantiu que o partido estava mais vivo do que nunca. O cenário atual passa, no entanto, por níveis de corrupção jamais conhecidos na história do país, e com o agravante da maior crise econômica em 13 anos.

Em entrevista a Marcelo Mattos, o cientista político do Insper, Carlos Melo, avalia que 2016 será uma prévia para o futuro do PT: “Perdendo máquina, perdendo espaço, o PT perde também muito poder de fogo, além de todo o desgaste de 14 anos de governo e todos os problemas que temos acompanhado”.

A reeleição do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é considerada vital para o PT se manter como uma das maiores máquinas e vitrines eleitorais. Abertamente, no entanto, o presidente do partido na capital, Paulo Fiorillo, diz ser prematuro relacionar os resultados nas urnas com os rumos da legenda: “É muito difícil fazer uma avaliação agora e nós temos ainda muita coisa para mostrar. Mesmo no nosso governo da capital, nós fizemos ações importantes no combate à corrupção. Qualquer análise precipitada pode levar a uma análise equivocada”.

Em fevereiro, o PSDB fará prévias para definir o nome que entrará na disputa contra Fernando Haddad. Em busca da indicação tucana, o deputado federal Ricardo Tripoli aponta o descontrole das finanças da cidade como um ponto a ser atacado: “A cidade de São Paulo é uma cidade que tem uma dívida consolidada de cerca de R$ 50 bilhões, sendo cerca de R$ 30 bilhões da dívida com o governo federal, mais R$ 15 bilhões de precatórios e mais R$ 5 bilhões de dívidas com bancos privados. Fora o custeio da estrutura da prefeitura de São Paulo. Aí você fica com pouco ou quase nenhum recurso para investimento”. Ricardo Tripoli terá como adversários nas prévias do PSDB o empresário João Dória Júnior e o vereador Andrea Matarazzo.

A senadora Marta Suplicy, que trocou o PT pelo PMDB, e o deputado federal Celso Russomano, do PRB, também despontam como prováveis candidatos.