Pesquisa da USP associa vírus zika à inflamação nos olhos em adultos

  • Por Jovem Pan
  • 23/06/2016 09h08
Mosquito Aedes albopictus - WIKI

 Uma pesquisa inédita da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP aponta caso de inflamação intraocular em adultos causada pelo zika vírus. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (22) no The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes revistas médicas do mundo. Até então, a comunidade científica acreditava que o zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, causava somente conjuntivite.

Agora, essa manifestação nova é mais grave, como explica o professor João Marcello Furtado, do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço da FMRP: “O que a gente verificou nesse relato de caso, é que esse paciente tinha uma inflamação dentro do olho, que a gente chama de uveíte. Isso pode causar mais danos ao olho da pessoa, e até então não estava descrito em uma associação conjunta”.

Mesmo com a nova descoberta, o professor descarta a necessidade de alarde, sobretudo a poucos dias da realização dos Jogos Olímpicos no Brasil: “A impressão nossa é que isso ocorra em uma minoria das pessoas infectadas pelo zika, então por exemplo, em relação aos jogos olímpicos não precisa de alarde. Mas para a pessoa infectada e para o clínico-geral que está atendendo a pessoa com zika, se essa pessoa está com o olho vermelho, isso pode significar algo mais grave do que a simples conjuntivite que até então era a única coisa relatada”.

O caso descrito na revista é de um homem de cerca de 40 anos que teve sintomas compatíveis com o zika, associados a olho vermelho. Em um primeiro momento, o paciente e o médico acreditaram ser conjuntivite, mas na avaliação oftalmológica foi evidenciada a inflamação intraocular, a chamada uveíte.

Caso não tratada corretamente, a inflamação pode causar complicações, relata Furtado: “Se ela for persistente pode acarretar em algumas complicações, que esse paciente que a gente descreveu não teve, mas a pessoa pode desenvolver a catarata mais cedo que o normal, que é a opacidade da lente natural do olho. Essa inflamação pode aumentar a pressão do olho e, posteriormente, levar a um dano na visão, até irreversível”.

Além do professor Furtado, participam do trabalho o professor Benedito Antônio Lopes da Fonseca, o médico oftalmologista Tomás Teixeira Pinto, do Hospital das Clínicas da FMRP, e Taline Klein e Danillo Espósito, do Laboratório de Virologia da FMRP.

O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira, novos dados de microcefalia. Até 18 de junho, foram confirmados 1.616 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita em todo o país. Os casos estão em 576 municípios de todos os estados. Ainda, 324 mortes suspeitas de microcefalia foram registradas em todo o Brasil até o momento.

Reportagem: Fernando Martins