Pezão não vê exclusão de contrapartidas como presente, e sai em defesa de Cabral

  • Por Jovem Pan
  • 21/12/2016 08h55
Luiz Fernando Pezão - Ag Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (20) o projeto de lei que trata da renegociação da dívida dos Estados.

O acordo retirou do texto a maioria dos dispositivos incluídos, que previam contrapartidas para os Estados que assinassem a renegociação. As mudanças aprovadas na Casa contrariam o entendimento da área econômica do Governo, que considera o ajuste fiscal dos Estados algo essencial para o reequilíbrio das contas.

O texto, que agora segue para sanção presidencial, fará o Ministério da Fazenda tratar, caso a caso, a situação dos Estados.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que o tratamento diferenciado para cada Estado não é um “presente” e disse que a pasta da Fazenda não abrirá mão das contrapartidas.

“O dinheiro não entra na conta do Estado imediatamente. Quem vai aderir, vai ter que fazer todas essas contrapartidas. A equipe econômica não abre mão de todas as medidas”, disse Pezão.

O governador atribuiu o problema que o Rio de Janeiro à crise presente no País e disse que o Estado fez mais cortes que o Governo federal. “É importante ressaltar que nem na Lei de Responsabilidade Fiscal está previsto uma situação que nem a que o Brasil vive, de -7% do PIB em dois anos e meio. Ninguém está deixando de fazer ajuste dentro das suas possibilidades. Fizemos muito mais cortes que o Governo federal fez nas suas despesas, e não foi suficiente”, explicou.

Luiz Fernando Pezão não poupou críticas ao Governo e defendeu que seu pacote de medidas é mais duro e colocaria o Rio de volta nos trilhos. “Acho que tenho instrumento mais forte. Nossas medidas eram mais pesadas que a exigência do Governo. Eu tenho instrumento que me dá a capacidade de mostrar aos Poderes que é vantajoso ao Estado ter essas medidas”.

O Estado do Rio de Janeiro contou com benesses do Governo, antecipação de recursos de royalties do petróleo, mas mesmo assim admitiu estado de calamidade financeira. A corrupção no Estado, provada com a prisão de Sérgio Cabral – aliado de Pezão – também mostram que o atual governador não fez a lição de casa.

Ele, no entanto, voltou a atribuir o problema do Estado a crise vivida no Brasil, e citou os números do PIB e a vinculação dos royalties do petróleo para o pagamento do funcionalismo público. “Não quero tirar a responsabilidade de ninguém, mas se você me mostra na LRF um país que tem -7% do PIB e não tem medidas excepcionais para fazer a travessia, me mostra que quero fazer e copiar”, ironizou.

Corrupção no RJ

Preso no âmbito da Operação Lava Jato, o padrinho político de Pezão, Sérgio Cabral, é acusado de desvios milionários da gestão, o que ainda agravou a situação do Estado.

Luiz Fernando Pezão evitou atribuir culpa ou não a Cabral e defendeu que ele tenha o direito de fazer sua defesa. “Tem que ser dado o direito de defesa das pessoas. Isso serve para todo mundo no meio político”, disse.

O atual governador fluminense reafirmou ainda sua responsabilidade de dirigir o Estado e “salvar as finanças”. Ele, entretanto, afirmou que não há mais como o Estado cortar gastos. “Não temos como cortar mais nosso custeio. Voltamos ao custeio de 2012. Espero que o presidente sancione, porque isso vai me dar mais forças a pedir esse sacrifício aos outros Poderes”, finalizou.

Confira a entrevista completa: