Polarização política inflama discurso de crianças e pais devem ficar atentos

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2016 12h12
Criança segura bandeira do Brasil durante desfile cívico e militar de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios

Terapeutas já sentem no consultório os reflexos da inflamada polarização política do país, que estimula – no extremo – a intolerância e o ódio entre grupos pró e contra o impeachment.

As crianças estão mais agressivas, e os pais nem sempre acham isso ruim.

O tema ganhou o caderno de artes dos pequenos, que desenham políticos sendo humilhados, machucados. Eles também repetem no recreio, brincadeiras (ou em vídeos na internet) as paixões políticas dos pais.

Nesse vídeo, por exemplo, o pai não é apenas o autor da letra, mas quem toca o violão pra filha.

A psicanalista Ilana Katz, doutora em psicologia e educação vê cenas como essa com preocupação. “As crianças para responderem à demanda de serem amadas pelos seus pais odeiam, como seus pais odeiam o outro. As crianças chegam aqui absolutamente montadas discursivamente. Elas chegam falando que amam ou odeiam um ou outro político. Na cena da clínica, isso não é uma cena educativa”, disse.

A pesquisadora do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e psicanálise da USP admitiu que o clima de Fla x Flu tem cegado os pais. A ponto de impedi-los de estimular um raciocínio crítico e educativo sobre momento histórico do Brasil. “Tem os que percebem e se preocupam e os que percebem e consideram interessante que isso esteja acontecendo”, contou.

E sabe onde isso vai nos levar?

“A experiência da intolerância do lugar do outro é a experiência cotidiana. por isso estamso preocupados com o que pode acontecer no domingo”, alertou.

E essa lição serve também para os adultos. Para a psicóloga infantil Daniela Freixo de Faria, é possível aproveitar o momento de forma positiva, ao rever conceitos sobre corrupções e propor mudanças de comportamento. “Não adianta na grande corrupção a gente guerrear e debater o assunto de modo fervoroso se na nossa família a gente não age da mesma forma. Enquanto brasileiros, vejo que temos uma grande oportunidade de nos revermos do mais simples gesto ao maior grande gesto de nossas atitudes”, pontuou.

Em São Paulo, a polícia preparou um grande esquema de segurança. O receio é o confronto, especialmente após o fim da votação na Congresso prevista para a noite de domingo. Em Brasília, a polícia adotou a polêmica estratégia de instalar um muro metálico ao longo de todo o canteiro central da Esplanada.