Ex-coordenadora da Lava Jato que teve celular hackeado diz que invasão foi feita por corruptos

  • Por Jovem Pan
  • 14/06/2019 17h27 - Atualizado em 14/06/2019 17h41

A procuradora e ex-coordenadora da Lava Jato, Thaméa Danelon, que também teve o seu celular hackeado na mesma época (e, possivelmente, pela mesma pessoa/grupo) que o ministro Sergio Moro, afirmou nesta sexta-feira (14) ao programa Pra Cima Deles da Jovem Pan que a tentativa de quem praticou as invasões foi “tentar descobrir algo que pudesse enfraquecer quem se comprometeu com o combate à corrupção”.

Thaméa questionou porque foram atacadas somente as pessoas que trabalham no combate a esse tipo de crime – como membros do Ministério Público Federal (MPF), juízes e jornalistas investigativos. “Não podemos acusar ninguém neste momento, mas evidentemente foram aqueles que praticam corrupção. Pessoas honestas não teriam porque querer invadir as contas dos procuradores”, declarou.

Ela disse, no entanto, que “os avanços não serão barrados” e que isso só mostra que “estamos no caminho certo”. “O combate vai continuar, essa semana já foi oferecida uma nova denúncia criminal”, alertou.

Thaméa, que foi chefe durante três meses do braço paulista da Operação Lava Jato, questionou a veracidade das supostas conversas divulgadas pelo site “The Intercept Brasil” entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Entretanto, afirmou que, por mais que o juiz precise ficar afastado em alguns momentos, ele “precisa participar e se inteirar da investigação”, principalmente quando autor da ação é o MPF, “um braço do Estado”.

“Evidentemente que as partes conversam entre si, principalmente em um processo penal. É fora de cogitação que haja uma ligação entre o investigado, o réu e o juiz, mas entre o juiz é o MPF é absolutamente normal”, pontuou.

A procuradora frisou ainda que o “mais importante foi o ato criminoso de violação de sigilo”. “Nas conversas que li, não problema algum, nenhuma mácula ou algo que possa ocasionar alguma suspensão do ministro Sergio Moro”.