Prefeitura de Mariana exige preparo antes de Samarco voltar a operar

  • Por Jovem Pan
  • 29/02/2016 12h15
O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Inicialmente, a mineradora havia afirmado que duas barragens haviam se rompido, de Fundão e Santarém. No dia 16 de novembro, a Samarco confirmou que apenas a barragem de Fundão se rompeu. Local: Distrito de Bento Rodrigues, Município de Mariana, Minas Gerais. Foto: Rogério Alves/TV SenadoSamarco deverá entregar uma nova versão do documento até o dia 17 de fevereiro

 A prefeitura de Mariana só vai apoiar a volta das atividades da Samarco quando a mineradora garantir a segurança na região da tragédia. Nesta semana, a empresa pediu à Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais que seja retomado o trabalho na barragem de Fundão. A intenção é continuar a exploração de minério de ferro na região, após o desastre ocorrido em 05/11/15.

Em entrevista a Danillo Oliveira, o prefeito de Mariana, Duarte Junior, diz que a Samarco ainda precisa regularizar a situação com o poder público: “Primeiro a empresa precisa demonstrar que está preparada para voltar a funcionar. Ela já tem o plano de segurança adequado para o momento? Tem as licenças ambientais? Tem onde jogar o rejeito? Tudo isso nos interessa saber. Se estiver com tudo isso legalizado, é importante a volta da empresa para a manutenção dos empregos, da nossa economia e porque é uma das principais fontes de renda do nosso município”.

Na sexta-feira (26/02) a mineradora fechou acordo e vai pagar mais de R$ 4 bilhões para recuperar a bacia do rio Doce. Para o deputado Rogério Correia, relator da chamada Comissão das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ainda há muito trabalho a ser feito: “Ela não volta a funcionar antes de fazer o compromisso real, assinado, com os governos federal, estadual e o Ministério Público. Nada garante que ela volte a funcionar e que se inicie o procedimento das obras, afinal de contas é um custo estimado em R$ 20 bilhões”.

No momento, a comissão da Assembleia Legislativa mineira busca responsabilizar os envolvidos no rompimento da barragem da Samarco. Os deputados estaduais também cogitam propor mudanças na legislação, para aumentar o rigor dos licenciamentos para a atividade mineradora.