Problema com tornozeleiras eletrônicas esbarra na burocracia, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 12/07/2016 07h29
Tornozeleira

Sem a tornozeleira eletrônica, Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira vão pra casa. Mas com agentes da Polícia Federal à tiracolo. O avanço da tecnologia nos leva a paradigmas como esse em pleno 2016.

Temos à disposição a tornozeleira eletrônica, um meio eficaz de monitorar presos, especialmente os que se enquadram em regime semiaberto. Ao mesmo tempo, o equipamento está em falta em vários Estados. Um deles o Rio de Janeiro.

Nesta segunda-feira (11), o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish e o contraventor Carlinhos Cachoeira serão monitorados pela Polícia Federal após deixarem Bangu 8, no Rio de Janeiro.

Agora: Quanto custa deixar agentes à disposição dos acusados de lavagem de dinheiro? Certamente, bem menos que os R$ 300 mensais da tornozeleira eletrônica.

Para o professor da pós-graduação em Ciências Sociais da PUC-RS, Rodrigo Azevedo, o problema esbarra na burocracia. “Isso passa por desorganização, burocratização, dificuldades que a legislação acaba criando e tem problemas de atraso e continuidade”, disse.

O impasse poderia, inclusive, aliviar as contas públicas, já que manter uma pessoa presa custa cerca de R$ 2 mil por mês para o Estado, enquanto a tornozeleira custa R$ 300.

Segundo o Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil é o quarto País que mais prende no mundo. E o sistema viciado gera a superlotação carcerária.

“Há excesso na utilização da prisão preventiva. Há muitos presos provisórios que não precisariam estar presos”, disse Azevedo.

A tecnologia inclui um GPS, que determina a localização por satélite, e um modem para transmissão de dados por sinal de celular. O Rio não paga o fornecedor desde 2014 e, em São Paulo, o serviço está paralisado, desde março, porque expirou o contrato com a empresa.

*Informações da repórter Carolina Ercolin