Procurador da República confirma ligação de Bumlai com PT

  • Por Jovem Pan
  • 15/12/2015 07h17
Valter Campanato/Agência Brasil O pecuarista José Carlos Bumlai

 Pecuarista José Carlos Bumlai e mais 10 pessoas foram denunciados pelo Ministério Público Federal. Investigados na Operação Lava Jato, eles respondem pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva. Os procuradores também pediram R$ 53,5 milhões para reparação de danos causados à Petrobras.

A denúncia trata do esquema para escolha da Schahin Engenharia, em 2009, para o contrato de operação do navio-sonda Vitória. Se for condenado por todos os crimes, Bumlai pode pegar até 43 anos de cadeia.

O procurador Deltan Dallagnol diz que o negócio de US$1,6 bilhão pagou empréstimos ilegais obtidos pelo pecuarista para o PT: “É possível sim a concessão desse contrato em favor do Grupo Schahin, com a condição de que aquele empréstimo concedido a Bumlai, que favorecia o Partido dos Trabalhadores, com esse contrato da Petrobras, fosse quitado”. Novas provas contra Bumlai foram encontradas numa operação de busca e apreensão, e ele foi ouvido novamente pela Polícia Federal.

O procurador da república, Diogo Castor de Mattos diz que o amigo de Lula e familiares tinham ligação com o Partido dos Trabalhadores: “Ele falou que nunca teve nenhuma relação com o Partido dos Trabalhadores, nem ele, nem ninguém da sua família, mas foi apreendido um documento em que o filho do José Carlos Bumlai pedia desfiliação do PT”.

Auditor da Receita Federal indica que foi realizada uma cuidadosa fiscalização no Banco Schahin e, também, sobre os indiciados. Roberto Leonel destaca que a investigação rastreou dinheiro e movimentações financeiras suspeitas: “Verificamos evoluções patrimoniais, algumas expressivas, lastreadas com alguns empréstimos simulados e outros empréstimos que ainda estamos verificando o real destino dado aos recursos”.

Além do pecuarista foram denunciados pelo MPF, o filho dele, Maurício de Barros Bumlai, e a nora, Cristiane Barbosa Bumlai. Estão na lista Salim Taufic Schahin, Milton Taufic Schahin, Fernando Schahin, e Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras.

Também da estatal figuram, o ex-diretor Jorge Zelada e o ex-gerente Eduardo Musa. Pelo PT responde João Vaccari e o lobista Fernando Soares. Já o ex-vice-presidente da Engevix, Gerson Almada foi condenado a 19 anos de reclusão por organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.